PORSCHE 906 CARRERA 6 PODERÁ ULTRAPASSAR OS 2 MILHÕES DE EUROS EM OUTUBRO
2025-08-25 21:03:09

Num período em que a Ferrari lutava para produzir as 50 unidades necessárias para homologar o seu desportivo de 2 litros com motor Dino V6, a Porsche esgotava quase de imediato o seu novo 906. Com chassis tubular em aço, frente baixa, traseira "Kamm" e pára-brisas curvo, tratava-se de um pequeno e aerodinâmico automóvel de competição, capaz, ainda assim, de transportar uma mala para cumprir o regulamento. O projecto, desenvolvido sob a direcção de figuras de destaque da Porsche como Ferdinand Piëch e Hans Mezger, foi apresentado à imprensa na fábrica de Zuffenhausen em Janeiro de 1966 e vendido aos clientes por 11.500 dólares. No total, foram produzidos apenas 65 chassis, dos quais 52 receberam o motor Carrera 6 do tipo 901/20. Este propulsor, desenvolvido de raiz para o 906 com recurso a componentes em titânio e magnésio, era 54 quilos mais leve do que o motor de um 911 de estrada da época. Com 1.991cc, debitava 210 cavalos de potência para impulsionar um conjunto que pesava apenas 580 quilos. Entre esses exemplares, o chassis número 906-146 - aqui em destaque - foi entregue a 20 de Abril de 1966 à Pons Holland, importador histórico da Volkswagen e Porsche. De acordo com uma cópia da folha Kardex, o automóvel saiu de fábrica pintado em laranja, condizente com o primeiro proprietário: a Racing Team Holland. A 24 de Abril, o carro estreou-se em competição na reunião nacional da NAV em Zandvoort, onde o piloto Wim Loos venceu a classe de 2 litros. Com David van Lennep ao volante, seguiram-se pódios em Trier e no Grande Prémio de Paris, em Montlhéry. O Carrera 6 participou regularmente em provas ao longo do ano seguinte, incluindo duas vitórias absolutas de Ben Pon Jr. em Zandvoort, antes de sofrer um acidente nos treinos para os 1000 km de Spa. O Porsche foi posteriormente reconstruído na fábrica em 1968, antes de ser vendido a Antoine Hezemans. Nessa altura, já envergava uma nova pintura branca com uma faixa azul, branca e vermelha - as cores nacionais dos Países Baixos - e obteve mais três vitórias, antes de Arie Ruska o adquirir no final de 1969. Ruska competiu com o carro até Outubro de 1971. No ano seguinte, o 906 terá sido vendido através do conceituado negociante de automóveis desportivos Rob de la Rive Box a um cirurgião holandês. Posteriormente, foi adquirido pelo coleccionador Albert Westerman, que o manteve até 2002. Em 2005, o automóvel passou a ter o seu primeiro proprietário não holandês, o atual consignatário. Submetido a uma restauração completa de carroçaria por Gustav Ulrich e August Deutsch Mechanik - documentada em álbuns fotográficos - o Porsche recuperou o tom laranja da época, tal como se apresenta atualmente. Foi igualmente equipado com um motor de 911. Além do motor suplente correcto do tipo 901/20 oferecido em conjunto com o automóvel, o chassis 906-146 conta ainda com um Passaporte Técnico Histórico FIA expirado, bem como relatórios de inspeção de autoridades da marca: Walter Näher (Março de 2013), Rolf Sprenger (Julho de 2013) e Andy Prill (Fevereiro de 2025). Este exemplar único é até ao momento a grande atracção do catálogo da leiloeira RM/ Sothebys para o seu evento a realizar em outubro próximo na cidade de Munique, Alemanha. imagens: RM/ Sothebys