DOSSIER SMART CITIES - A REDE INVISÍVEL QUE MOLDA AS CIDADES INTELIGENTES
2025-08-26 21:04:47

IMAGINE UMA CIDADE ONDE O TRANSPORTE PÚBLICO SE AJUSTA AO FLUXO DE PESSOAS, A ENERGIA é GERIDA DE FORMA EFICIENTE, E A SUSTENTABILIDADE JÁ é UMA REALIDADE. AS SMART CITIES SÃO MAIS DO QUE UM CONCEITO FUTURISTA. São UM MODELO ONDE A INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E O BEM-ESTAR SOCIAL CAMINHAM LADO A lado. s cidades do mundo enfrentam o desafio do crescimento populacional acelerado, e a solução para os problemas urbanos não reside apenas em construir mais infraestruturas, mas em transformar a própria maneira como as cidades são concebidas e geridas. O conceito de smart cities , cidades inteligentes emerge como uma resposta a este desafio, procurando integrar tecnologias avançadas com soluções sustentá| veis para criar ambientes urbanos mais habitáveis, eficientes e inclusivos. Mas o que realmente faz com que uma cidade seja “inteligente"2 As cidades inteligentes não são definidas apenas pela adoção de tecnologias avançadas, mas pela forma como estas são usadas para melhorar a qualidade de vida dos habitantes. Tecnologias como a Internet das coisas (IoT), inteligência artificial (IA) e big data permitem que as cidades se tornem mais interconectadas e mais eficientes. O Smart City Index 2025, do Institute for Management Development (IMD), revela que as cidades que lideram este ranking não são aquelas que possuem a maior infraestrutura tecnológica, mas aquelas que sabem usar a tecnologia para otimizar os serviços urbanos, como transporte, saúde, segurança e gestão de resíduos. Zurique, Oslo e Genebra são exemplos de como a inovação tecnológica pode ser aplicada para melhorar a qualidade de vida dos seus cidadãos. Em Zurique, por exemplo, a cidade possui um sistema de transportes públicos completamente digitalizado, que permite aos cidadãos planear as suas viagens em tempo real, considerando diferentes modos de transporte, desde comboios a bicicletas partilhadas. Em Oslo, a mobilidade elétrica está integrada no sistema urbano de forma tão eficaz, que a cidade está a caminho de ser totalmente livre de emissões até final deste ano. Estes exemplos mostram como uma infraestrutura inteligente pode ser não apenas eficiente, mas também sustentável, criando cidades mais conectadas e com menor impacto ambiental. LISBOA: UM CASO DE ESTUDO Lisboa é um exemplo claro de como uma cidade pode simultaneamente avançar na direção das smart cities e en-frentar dificuldades estruturais significativas. O Smart City Index de 2025 revela uma queda de 40 posições para a cidade nos últimos cinco anos, resultando num atual 115.9 lugar, uma queda acentuada em relação à 75.“ posição que ocupava em 2020. Este declínio pode ser atribuído a vários fatores, com destaque para as questões de mobilidade, habitação e desigualdade social, que continuam a ser os maiores obstáculos ao progresso da cidade. Portugal tem investido ativamente na criação de um ecossistema de cidades inteligentes, com a implementação da Estratégia Nacional para OS Territórios Inteligentes (ENTI), que visa tornar as cidades portuguesas mais sustentáveis, inclusivas e conectadas. Iniciativas como O Smart Cities Marketplace da Comissão Euro-MOBILIDADE INTELIGENTE Um dos maiores desafios enfrentados pelas cidades inteligentes é a gestão da mobilidade urbana. O aumento peia têm permitido a algumas cidades portuguesas, como Guimarães, Vila Real e Almada, integrar soluções inovadoras de energia renovável e mobilidade sustentável, alinhando-se com os padrões globais de inovação urbana. Lisboa, como principal centro urbano de Portugal, tem tido um papel fundamental neste processo. Contudo, para que a cidade recupere a sua posição no ranking global e se afirme como um modelo de smart city, será necessário investir numa abordagem mais integrada e holística. Isso envolve uma maior colaboração entre o governo, as empresas e os cidadãos, para garantir que as inovações tecnológicas sejam aproveitadas de forma inclusiva, beneficiando todas as camadas da sociedade. SUSTENTABILIDADE ê A BASE A sustentabilidade é, sem dúvida, um dos pilares essenciais para uma cidade ser considerada inteligente. o crescimento urbano, quando não é bem planeado, pode levar a um aumento das emissões de carbono, congestionamentos e à degradação ambiental. Portanto, para uma cidade ser considerada realmente inteligente, ela deve incorporar soluções que minimizem o seu impacto ambiental. Em Copenhaga, por exemplo, a cidade implementou um sistema de energia renovável baseado principalmente em fontes eólicas e solares, além de um transporte público 100% elétrico. O compromisso de Copenhaga com a neutralidade carbónica até final de 2025 coloca-a na vanguarda das cidades que integram tecnologia e sustentabilidade de forma eficaz. Além da gestão de energia, outras soluções inovadoras incluem a gestão inteligente de resíduos. Em cidades como Tóquio e Barcelona, sensores e algoritmos avançados são utilizados para monitorizar os níveis de lixo nas lixeiras e otimizar as rotas de recolha, economizando recursos e reduzindo o desperdício. Este tipo de abordagem não só melhora a eficiência do serviço, mas também contribui para a redução da pegada ecológica da cidade. do número de veículos e a falta de infraestruturas adequadas resultam em congestionamentos e poluição. De acordo com o World Economic Forum, as cidades que procuram tornar-se inteligentes precisam de adotar soluções de mobilidade integradas que não apenas otimizem o tráfego, mas que também incentivem o uso de modos de transporte sustentáveis. O conceito de mobilidade inteligente vai além da simples introdução de veículos elétricos. Trata-se de criar uma infraestrutura urbana que integre diferentes modos de transporte, como carros elétricos, bicicletas partilhadas, transporte público e até drones para entregas. A cidade de Seul, na Coreia do Sul, é um exemplo notável disso mesmo, com uma plataforma única que permite aos habitantes planear viagens através de múltiplos modos de transporte, além de integrar informações sobre condições de trânsito em tempo real. Esta abordagem não só melhora a eficiência do transporte, mas também reduz os congestionamentos e o impacto ambiental. A DIMENSàO HUMANA DAS SMART CITIES Embora a tecnologia e a sustentabilidade sejam essenciais, o verdadeiro valor de uma cidade inteligente está na sua capacidade de ser inclusiva e acessível a todos. A criação de smart cities não deve resultar num aumento das desigualdades, mas deve, sim, ser uma oportunidade para melhorar a qualidade de vida de todos, sem exceção. A acessibilidade é uma das questões centrais das cidades inteligentes. A infraestrutura urbana deve ser adaptada para garantir que todas as pessoas, incluindo aquelas com mobilidade reduzida ou deficiências visuais, possam beneficiar das inovações oferecidas pela cidade. Muitas cidades, como Londres e Vancouver, têm-se destacado na execução de sistemas de transporte acessíveis, com rampas, pisos táteis e transporte público adaptado. No entanto, a verdadeira inclusão vai além da acessibilidade física. Significa garantir que todos os cidadãos, independentemente da sua classe social, tenham acesso aos benefícios da digitalização, como serviços de saúde online, educação digital e o uso de plataformas de transporte inteligente. Este é um ponto crítico para a concretização do conceito de cidades inteligentes. A tecnologia deve ser usada para diminuir as desigualdades, não para reforçá-las. Um exemplo disso é o conceito de smart villages instalado em algumas regiões rurais de países em desenvolvimento, que procura levar tecnologias urbanas para áreas mais isoladas, oferecendo acesso a serviços essenciais como saúde, educação e transporte. SMART CITIES NO MUNDO A instalação de soluções tecnológicas e sustentáveis em cidades de países em desenvolvimento pode ser um fator crucial para melhorar a qualidade de vida, a eficiência dos serviços públicos e a inclusão social. Em várias regiões de àfrica, América Latina e àsia, estão a surgir projetos de smart cities que combinam tecnologias avançadas com soluções locais, adaptadas às necessidades específicas das populações. O exemplo do Dubai, que ocupa a 4.4 posição no Smart City Index 2025, é um bom reflexo da crescente interconectividade global das cidades inteligentes. A ci- âs cidades inteligentes não são definidas apenas pela adoção de tecnologias avançadas, mas pela forma como estas são usadas para melhorar a qualidade de vida dos habitantes. Para que Lisboa recupere a posição no ranking global e se afrme como um modelo de smart city, será necessário investir numa abordagem mais integrada e holistica. Um dos maiores desafios das cidades inteligentes é a gestão da mobilidade urbana. o aumento do número de veículos e a falta de infraestruturas adequadas resultam em congestionamentos e poluição. Fernanda Mira