"SEGURO PARA RISCOS NO CIBERESPAÇO: MERCADO DESFASADO DA REALIDADE", POR SANDRA JUSTINO
2025-08-28 21:06:20

O mercado de seguros para consumidores particulares continua tímido no que toca à proteção digital, em contraste com as propostas vocacionadas para as empresas, que têm vindo a evoluir Num mundo cada vez mais digital, os riscos associados à navegação online, à utilização de redes sociais, a compras eletrónicas ou a simples trocas de mensagens tornaram-se inevitáveis. Desde a usurpação da identidade até a fraudes com meios de pagamento, passando por difamações ou violações da privacidade, a vida digital dos consumidores enfrenta ameaças constantes, muitas vezes, difíceis de prevenir, e ainda mais de resolver. Apesar disso, o mercado de seguros para consumidores particulares continua tímido no que toca à proteção digital, em contraste com as propostas vocacionadas para as empresas, que têm vindo a evoluir. Em 2022, quando fizemos o primeiro levantamento acerca deste tipo de seguro para particulares, chegámos à conclusão de que o mercado estava a dar os primeiros passos, e, três anos depois, tudo parece estar, mais ou menos, na mesma. A maioria das ofertas são limitadas, dispersas e pouco adaptadas às reais necessidades de quem vive conectado. O produto mais completo continua a ser o Fidelidade Cyber Famílias, uma apólice especificamente desenhada para o universo familiar, com duas modalidades de cobertura. Destaca-se por conjugar proteção jurídica, desde responsabilidade civil por atos online até litígios em compras digitais, com assistência tecnológica e apoio psicológico. O seu valor anual , entre 36 e 48 euros , é competitivo, sobretudo considerando a abrangência dos serviços incluídos. Já seguradoras como a Generali Tranquilidade, a Ageas e a Mudum optaram por incluir coberturas cibernéticas nas apólices multirriscos-habitação. Não se tratando de produtos específicos, os montantes indemnizatórios e a aplicabilidade prática são limitados. Em muitos casos, o consumidor tem de adiantar despesas e navegar por processos de reembolso nem sempre simples ou rápidos. Embora úteis, estas soluções são mais simbólicas do que verdadeiramente protetoras. O mercado ainda precisa de evoluir. É necessário criar seguros centrados no utilizador digital, com coberturas ajustadas às novas ameaças e à sua frequência. Sobretudo, produtos com uma linguagem clara e acessível, que não esconda exclusões ou processos burocráticos, e, sobretudo, com mecanismos de resposta eficazes e céleres. A proteção digital deve deixar de ser um extra e passar a ser uma dimensão essencial da segurança pessoal. Porque, no nosso mundo, a vida digital é a vida real, e os consumidores merecem sentir-se seguros também no ecrã.