MADEIRA VAI TER MAIS DE 6 MIL VOOS NO INVERNO IATA
2025-09-01 21:05:13

MADEIR/ GANHA SETE NOVAS ROTAS ESTE INVERNO O Aeroporto da Madeira vai registar um crescimento de quase 10% no Inverno IATA, somando 6.354 VOOS e a oferta de 1 milhão e 171 mil lugares. Há novas rotas para Tallinn, Bruxelas, Marselha, Shannon e Gotemburgo RÚBEN SANTOS rsantos@dnoticias.pt O Aeroporto da Madeira prepara-se para um Inverno de grande movimento. De acordo com dados da Cirium, analisados pela consultora SkyExpert, a próxima temporada da aviação entre 26 de Outubro e 28 de Março , vai registar um aumento de 9,1% no número de voos e de 9,7% na oferta de lugares. No total, estão programados 6.354 voos, disponibilizando um total de 1 milhão e 171 mil lugares para aterrar na pista de Santa Cruz. Serão mais 533 voos e 103 mil lugares em comparação com 2024/2025 , indicadores que não incluem, naturalmente, as operações charter, e que apenas dizem respeito ao número de chegadas no Aeroporto da Madeira. No que toca ao crescimento, a Ryanair destaca-se como a companhia que mais aumenta a sua operação, com um acréscimo na ordem dos 29 mil lugares e quase 147 voos a mais com destino à Região. Seguem-se a Jet2, Transavia e a Smartwings como as companhias com maior crescimento absoluto na oferta. Apesar deste crescimento da companhia irlandesa, a easyJet mantém-se como a mais importante para o Aeroporto da Madeira em termos de capacidade, oferecendo, ao todo, 254.451 lugares em 1.321 voos, servindo um total de 12 aeroportos. A TAP segue de perto, com menos lugares (227.617), mas com mais voos e apenas concentrados nas rotas domésticas de Lisboa e Porto. “E interessante notar que a TAP continua como número um em termos de voos para a Madeira, utilizando uma combinação de aeronaves Embraer, A319 e A320. Em todo o caso, a companhia pode sempre ajustar a frota conforme necessário, mas, de acordo com o escalonamento actual, mantém essa posição”, explica Pedro Castro. A aposta em aeronaves de maior capacidade é também uma tendência a ter em conta noutras companhias, com a média de lugares por voo a subir em compa-ração com a temporada transacta, isto à conta da utilização mais frequente dos Airbus A321 Neo. E disso exemplo a estratégia da Transavia, easyJet e Jet2 nalgumas das suas ligações. “o impacto do uso de aviões maiores é evidente: a easyJet e a Transavia, por exemplo, ao substituir aeronaves por modelos como o A321neo, aumentam significativamente a capacidade. Mesmo sem aumentar a frequência de voos, a simples troca de avião já adiciona muitos lugares”, explica o director da SkyExpert. Outras companhias relevantes na temporada de Inverno 2025/26 são a Jet2 e a Wizzair. A Jet2 oferece 168.680 lugares em 828 voos, ligando a Madeira a 13 aeroportos, reforçando principalmente o mercado britânico. Já a Wizzair disponibiliza 168.256 lugares em 704 voos, com foco no mercado do Leste europeu e consolidando a presença da ilha em destinos estratégicos como Budapeste, Gdnask, Katowice e Varsóvia. Ainda assim, a Polónia estabili-zou nos 59 mil lugares, em contraste com a Irlanda que subiu de 4 mil lugares para mais de 21 mil. Para estes dois últimos países, as ligações estão exclusivamente dependentes de uma única companhia aérea, a Wizzair e a Ryanair, respectivamente. Sete novas ligações Um dos indicadores mais positivos é a entrada de novas ligações directas e novas companhias: a Brussels Airlines com vai ligar directamente a capital da Bélgica ao Funchal; a BRA que passa a voar para Gotemburgo e ainda a Marabu (Alemanha) que se junta à Eurowings e Condor na oferta desde o Aeroporto de Hamburgo. A rede de destinos a partir do Funchal para este Inverno IATA será, deste modo, alargada, com a adição de sete novas rotas em comparação com a anterior temporada: Marselha (Transavia), Tallinn (Air Baltic), Gotemburgo (BRA), Southampton (Jet), Luton (Jet2 e easyJet), Bruxelas (Brussels Airlines) e Shannon (Ryanair) são as novidades. TURISMO PORTO SANTO VAI FICAR AO ABANDONO: TAP DEIXA DE OPERAR NA ÉPOCA BAIXA E EASYJET SEGUE O MESMO CAMINHO O Porto Santo vai deixar de contar com ligações directas ao continente e ficará dependente apenas das conexões inter-ilhas. No que toca à mobilidade aérea, a TAP vai abandonar a rota com Lisboa e a easyJet segue o mesmo caminho. A partir de 4 de Novembro, a companhia britânica low-cost deixa de voar entre Porto Santo e o Aeroporto Humberto Delgado, mantendo apenas seis ligações especiais durante o período de Natal e Ano Novo. O regresso só está previsto para o verão IATA. Já OS VOOS para o Porto, também operados pela easyJet, cessam a2 de Novembro... e para toda a estação. “Sem ligações directas a Lisboa ou Porto, qualquer passageiro vindo do continente terá de fazer escala obrigatória no Funchal. Uma viagem que poderia demorar 1h30 transforma-se facilmente em quatro a seis horas, ou mais, se a ligação inter-ilhas não estiver coordenada. Para mercados internacionais, como Alemanha, Reino Unido oui França, o impacto é ainda maior: viagens de 3 a 4 horas tornam-se percursos de 7 a 12 horas, com risco de pernoita. Na prática, o Porto Santo deixa de competir com outros destinos mediterrâneos e atlânticos que oferecem acessibilidade muito mais simples”, avisa Pedro Castro. o consultor sublinha ainda que a perda de voos directos cria um monopólio efectivo nas ligações aéreas. “Com menor concorrência e maior complexidade logística, as tarifas aumentam, tanto para turistas como para residentes. As promoções e as rotas low-cost deixam de ter impacto, porque o custo da ligação extra ao Funchal anula qualquer vantagem. O Porto Santo passa a ser um destino mais caro, sem ganhar valor acrescentado”, avisa. A ilha, que já vive um modelo altamente sazonal, fica ainda mais vulnerável com o fim das ligações a0 continente e segundo o director da SkyExpert, a sensação de isolamento e dependência do Funchal agrava-se junto dos residentes, não apenas em termos turísticos, mas também com efeitos sociais e económicos. “Sem voos directos, a ilha corre o risco de se fechar ainda mais sobre si mesma”, alerta Pedro Castro. Para o especialista, a saída passa por uma estratégia pública clara e pela diversificação do turismo. «ê preciso garantir uma ligação directa e regular ao continente durante todo o ano, mesmo que com menos frequências na época baixa, mas em horários que assegurem previsibilidade e confiança. O Estado não pode confundir o subsidiar uma obrigação de serviço público com o deixar a ilha entregue à sua sorte. E não posso deixar de salientar que a TAP privatizada voava para o Porto Santo o ano inteiro até ao Fevereiro de 2020, interrompendo com a pandemia um serviço anual que nunca mais regressou com a TAP pública”, concretizou. Neste lote de novos destinos, o consultor de aviação destaca Tallinn como uma boa aposta. “Operado por uma companhia que já actua na Madeira, a AirBaltic, e que já realiza voos entre Rigae o Funchal, inclusive com ligeiro aumento recente da frequência. Agora, abre-se a rota Tallinn,Funchal. Para esses des-tinos, Tallinn e Riga, o voo para a Madeira equivale praticamente a um voo de longo curso, com quase seis horas de duração. Este posicionamento é muito interessante, pois permite que a Madeira se apresente como alternativa a destinos de longa distância em certos mercados”, evidencia. Mas nem tudo são boas notícias. O VOO para Paris (Aeroporto de Beauvais), que era assegurado pela Ryanair, e a ligação directa para Roma, operado pela Wizzair, deixam de existir. Aliás, Itália desaparece mesmo da rede directa de ligações com a Madeira e, no caso da França, a Região perde a oferta de 13 mil lugares. O que se justifica pela decisão da low-cost irlandesa. “Existe uma taxa de solidariedade para a aviação, em França, que triplicou para voos europeus e aumentou de 7,50 para 40 euros nos voos de longo curso, aumentos esses justificados como forma de compensar o impacto ambiental do sector. Foi este aumentou que justificou a redução em 10% dos voos da Ryanair em França, cancelando a rota de Paris com a Madeira”, explica. Ainda assim, no caso francês, existe alguma compensação pela Transavia, que introduz um novo destino, nomeadamente Marselha, abrindo uma nova rota na França, o que é “interessante para a diversificação”. Além disso, segundo os dados facultados pela SkyExpert, a compensar a perda total de Itália, para onde deixam de existir voos directos, a que se junta a perda parcial das ligações para França, assiste-se a crescimentos notórios do Benelux = Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo , que representam um aumento de quase 59 mil lugares. Há também algumas surpresas bastante significativas, como o crescimento da Chéquia, “muito saudável, pois é sustentado por duas companhias aéreas e não apenas por uma”. Neste caso serão 35 mil lugares assegurados pela Smartwings e Eurowings. Neste ranking importa referir que em primeiro lugar e não é surpresa continua a supremacia do mercado britânico, que se evidencia ainda mais neste Inverno, com um crescimento de praticamente 30 mil lugares. “A grande aposta continua a ser o mercado britânico como principal mercado emissor para a Madeira”, frisa Pedro Castro. Quanto ao mercado alemão, que ocupa o segundo lugar, tende a ser influenciado pela situação económica do país. O Banco Central da Alemanha já confirmou que se espera recessão ou estagnação e está afastado todo e qualquer cenário de crescimento económico. Por essa razão, o mercado turístico germânico encontra,se numa posição de certa retracção, o que explica o acréscimo modesto de apenas 6 mil lugares neste Inverno IATA. Marselha, Tallinn, Gotemburgo, Southampton, Londres-Luton, Bruxelas e Shannon ligam a ilha a novos mercados. Porto Santo fica ao abandono P.4E5 CONSULTOR DE AVIACàO ALERTA TAMBEM PARA DESERTO AEREO NO PORTO SANTO Novas rotas reforçam a conectividade da Madeira com companhias de vários mercados europeus. FOTO RUI SILVA/ASPRESS RÚBEN SANTOS