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EDITORIAL - A MOBILIDADE ELÉTRICA NÃO TIRA FÉRIAS

Blue Auto

2025-09-02 21:05:10

Apesar das opiniões discordantes que ainda hoje se fazem ouvir, a mobilidade elétrica continua de boa saúde. Muito boa, mesmo. E esta edição da BlueAuto está recheada de notícias e destaques que confirmam essa condição saudável. Começando pelo destaque de capa, se o preço de um automóvel 100% elétrico continua a ser um importante obstáculo para muitos consumidores, as muitas novidades “low-cost” já confirmadas para os próximos tempos vão seguramente ajudar a democratizar o acesso aos veículos alimentados a bateria elétrica. Mas já hoje a adesão aos elétricos continua a crescer a ritmo assinalável, como indicam sem contestação possível os dados estatísticos oficiais referentes às matrículas de carros novos: no final de julho, a variação anual homóloga dos BEV foi de 27,2% positivos, com os modelos 100% elétricos a bateria a representarem agora mais de 1 em cada 5 automóveis novos vendidos no mercado nacional. Um crescimento refletido também nos números recorde sucessivamente registados na infraestrutura nacional de carregamento de carros elétricos: só em julho, as operações de recarga aumentaram +48% comparando com o mesmo período de 2024. A propósito de carregamento de veículos elétricos, o último mês ficou marcado pela aprovação em Conselho de Ministros do esperado novo regime da mobilidade elétrica, iniciativa na qual se destacam as alterações trazidas ao processo de carregamento e anunciadas como destinadas a torná-lo mais simples e transparente , algo que, a confirmar-se, só pode ser bem-vindo. Noutra notícia recente que se saúda, e que resulta já da novidade atrás destacada, a Tesla, além de anunciar a ampliação da sua rede de supercarregadores em território nacional, confirma a abertura gradual da mesma a veículos elétricos de todas as marcas, o que representa mais um reforço de peso, quantitativo e qualitativo, nas opções de onde carregar, sobretudo quando em viagem. Também nos centros urbanos os locais para recarregar um VE continuam a multiplicar-se, e outro exemplo recente é o da Atlante, uma das principais redes de carregamento rápido e ultrarrápido no sul da Europa, que em território português tem já ativos cerca de 1000 pontos de recarga divididos por mais de 420 estações localizadas no perímetro urbano, incluindo em cadeias de retalho como a do Pingo Doce. Sem esquecer os constantes avanços tecnológicos que prometem ajudar a tornar os veículos elétricos cada vez mais acessíveis e universais. No campo das baterias, por exemplo. Reconhecidamente o elemento que mais contribui para os custos de produção de um VE, logo para o seu preço final de venda, a bateria que armazena a energia que alimenta o motor elétrico de um BEV está também ela a evoluir rápida e decisivamente: por um lado, vários estudos confirmam que a vulgarização da tecnologia leva a células cada vez mais baratas, fazendo com que a expansão da produção global de VE seja uma inevitabilidade não apenas ecológica mas também económica; por outro, os progressos na química das baterias aproximam-nos a passos rápidos do dia em que outra reconhecida limitação dos carros elétricos , a autonomia , deixará de o ser, como exemplifica um recente pedido de patente reivindicando até 3000 km só com uma carga e apenas 5 minutos para uma recarga completa. Decididamente, como esta edição de agosto comprova, na mobilidade elétrica não há risco de “silly season” , dizendo ainda melhor, e como tão bem resumiu a UVE - Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos ao destacar a vitalidade do mercado nacional dos VE, “A Mobilidade Elétrica em Portugal não tira férias!”