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HELSÍNQUIA INVESTIU EM FORÇA EM IOT

Weletric Online

2025-09-02 21:06:29

A capital finlandesa Helsínquia conseguiu o impensável: passou um ano inteiro sem registar qualquer vítima mortal em acidentes rodoviários. A conquista não é fruto do acaso, mas sim de uma estratégia integrada de mobilidade e planeamento urbano, que coloca pessoas no centro e dados/tecnologia na base da decisão, ao estilo de uma cidade inteligente. Em 2024, Helsínquia registou a sua última morte na estrada em julho. Desde então, a cidade, com cerca de 690 mil habitantes, conseguiu manter o número de vítimas mortais em zero durante doze meses consecutivos - algo raro em grandes centros urbanos. Oslo, capital da Noruega, já tinha alcançado este marco em 2019, mas Helsínquia destaca-se pela dimensão e pela consistência. Segundo revelou uma reportagem do DW, o sucesso finlandês está assente numa combinação de fatores: limites de velocidade reduzidos, recolha e análise de dados, maior aposta no transporte público e uma política de tolerância zero no que toca à segurança rodoviária. A importância de reduzir a velocidade Um dos pilares da estratégia foi a redução dos limites de velocidade para 30 km/h em mais de metade das ruas da cidade, especialmente em zonas escolares e residenciais. A medida, que pode parecer simples, revelou-se decisiva para proteger peões e ciclistas. Roni Utriainen, engenheiro de tráfego da autarquia de Helsínquia, sublinha que “só reduzir os limites de velocidade não é suficiente, mas é uma das medidas-chave para salvar vidas”. O município complementou esta política com 60 pontos fixos de controlo de velocidade, operados pela polícia, que ajudam a manter os condutores dentro dos limites estabelecidos. Planeamento baseado em dados e tecnologia Para além da redução de velocidade, Helsínquia investiu fortemente em tornar-se uma cidade inteligente, recolhendo e tratando dados de tráfego - desde velocidades médias a pontos críticos de acidentes, passando pelo feedback da população. Essa informação é utilizada para redesenhar vias, reforçar iluminação, criar ciclovias seguras e reorganizar transportes públicos. Este é um exemplo claro de como as cidades inteligentes podem usar sensores, câmaras e sistemas de análise de dados para prevenir acidentes antes de acontecerem. Tal como explica Hagen Schüller, engenheiro de planeamento de tráfego em Berlim, “a segurança rodoviária é complexa, mas quanto mais fatores conseguimos monitorizar, maior é a probabilidade de eliminar riscos”. Schüller acredita que o futuro da gestão do tráfego pode ser automatizado e impulsionado pela IA. Este especialista afirma que a automação, ainda em desenvolvimento, surgirá juntamente com os veículos autónomos. Se aprovados para uso, esses veículos enviarão dados de velocidade e localização para centros de controle de tráfego, que devolverão informações sobre limites de velocidade e interrupções. A inteligência artificial, aponta Schüller, poderia ser usada para analisar imagens de câmaras de trânsito para controlar o tráfego automaticamente. Schüller está convencido de que a Visão Zero é possível e acredita que os esforços de Helsínquia são um modelo para cidades de médio tamanho. “A maioria das cidades que fizeram isso [alcançar zero fatalidades] são menores, muito menores. A atenção que Helsínquia recebe por isso é justificada”, disse Schüller. O caminho para a “Visão Zero” Helsínquia integra-se na estratégia europeia Vision Zero, que pretende eliminar mortes nas estradas até 2050. O plano finlandês passa por reforçar a segurança de peões, ciclistas e crianças, melhorar a rede de transportes públicos e incentivar a redução do uso do automóvel particular. O futuro poderá ainda trazer um novo aliado: a inteligência artificial. Nesse cenário, veículos autónomos partilham dados em tempo real com centros de controlo urbano, permitindo ajustar limites de velocidade ou gerir congestionamentos de forma dinâmica. Mais do que tecnologia: decisão política Apesar da tecnologia disponível, muitos especialistas lembram que o verdadeiro desafio está nas escolhas políticas. Reduzir lugares de estacionamento, transformar faixas de rodagem em ciclovias ou criar zonas livres de automóveis são decisões impopulares em muitas cidades europeias. Ainda assim, Helsínquia mostra que é possível salvar vidas com uma combinação de visão política, tecnologia e participação cívica. O exemplo finlandês é agora apontado como modelo para cidades médias que procuram tornar-se mais seguras, sustentáveis e humanas. Welectric Welectric