UMA CULTURA QUE NÓS FAZEMOS . CAP. 77 . MARTIN BUBER
2025-09-05 21:07:21

Martin Buber: o “EuTu” como condição humana numa era digital. No clássico Ich und Du (Eu e Tu), Buber sustenta que “o homem se torna Eu na relação com O Tu”. Esta concepção supera a objectificação e situa o encontro como núcleo existencial. Esta ética do diálogo, entendo-a como comunicação como acto de reconhecimento mútuo. Tal como em Buber, não há neutralidade no encontro: é sempre um espaço de vulnerabilidade e reciprocidade. “Toda a vida real é encontro” demans M. Buber Cidades Inteligentes e a Subjectividade Humana numa Era de Globalização Este artigo analisa a intersecção entre as iniciativas de cidades inteligentes e a experiência subjetiva dos cidadãos, a luz de transformações tecnológicas, socioeconómicas e culturais numa era globalizada. Através da revisão de literatura recente (Manjon et al., 2022; Mitra et al., 2022; Pedro Mota Veiga, 2023) e de dados empíricos sobre literacia digital e impacto das TIC durante a pandemia de COVID-19, discutem-se as implicaçoes éticas, políticas e humanas da transição digital no espaço urbano. As cidades inteligentes têm emergido como paradigma dominante para enfrentar desafios urbanos contemporâneos, combinando tecnolo-gias digitais, sustentabilidade e participação cívica. No entanto, a promessa de eficiência e inovação convive com tensoes profundas: desigualdades territoriais, risco de superficialidade na aplicação do conceito e a necessidade de alinhar estra-tégias tecnológicas com os valores e experiências humanas. Cidades inteligentes e empreendedorismo , Manjon et al. (2022): nas cidades belgas, existe uma correlação positiva entre iniciativas de cidades inteligentes e empreendedorismo, especialmente no empreendedorismo digital em grandes centros urbanos; contudo, iniciativas sustentá- veis ou digitais em municípios menores não demonstram impacto significativo nas taxas de criação de empresas. , Mitra et al. (2022): propoem uma arquitectura de ecossistema de startups, enfatizando a infraestrutura digital como pré-condição para novos modelos de negócio; alertam, porém, para a necessidade de centros de conhecimento e redes de apoio. Problematização Três lacunas críticas emergem: 1. Desigualdade territorial: municípios menores permanecem a margem de oportunidades empreendedoras. 2. Infraestrutura vs. ecossistema: infraestrutura digital é necessária, mas insuficiente sem políticas de apoio, literacia digital e redes colaborativas. 3. Risco de tecnocratização: implementação superficial do conceito de cidade inteli-gente pode falhar na integração com estratégias locais de desenvolvimento Cidades inteligentes e subjectividade humana: A discussão sobre cidades inteligentes tende a centrar-se na eficiência, mas raramente explora a vivência subjectiva dos seus cidadãos. Na era da globalização: , A experiência urbana é moldada por fluxos globais de informação, cultura e economia, mas vivida de forma local e pessoal. , As TIO reconfiguram o espaço público e privado, alte-rando percepçoes de proximidade, tempo e pertença. , A identidade do cidadão é simultaneamente globalizada (exposta a referências e comunidades internacionais) e situada (ancorada no território urbano). Este duplo movimento coloca desafios éticos: como garantir que a smart city seja também uma human city, promotora de autonomia, diversidade cultural e bem-estar subjetivo? Impacto da digitalização na relação com os cidadãos: Contexto Contexto pan-pandémico démico Durante Durante a a CO-COVID-19, /1n 1a a digitali-diitali zação foi essencial para: , Garantir continuidade de serviços públicos , Possibilitar te-letrabalho e ensino a distância = Manter canais de comunicação e participação Administração electrónica e novos papéis A adopção de plataformas digitais obrigou a: ~ Requalificação de profissionais Maior interoperabilidade e transparência Integração de equipas multidisciplinares na tomada de decisão , Alinhamento com Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Agenda 2030) o papel dos profissionais de arquivo e informação, por exemplo, ampliou-se para garantir não apenas preservação, mas também acessibilidade e sustentabilidade dos dados. Consideraçoes êticas e Filosóficas Inspirando-me em Martin Buber e Emmanuel Levinas, a cidade inteligente deve cultivar relaçoes Eu-Tu autênticas e reconhecer a responsabilidade pelo Outro como núcleo ético. A alteridade urbana implica reconhecer que a tecnologia deve servir a subjectividade humana, não moldá-la exclusivamente segundo critérios de eficiência. A cidade inteligente na era da globalização só cumprirá a sua promessa se: ~ ~ Integrar Integrar tecnologia com com políticas políticas públicas inclusivas inclusivas , , Garantir Garantir participação participação ci-cidadã significativa , Valorizar as dimensoes subjetivas e culturais da vida urbana. Referências complementares Ecossistemas empreendedores | Pedro Mota Veiga (2023) | Relaciona atributos de cidades inteligentes (Smart People, Smart Governance) com dinamismo empreendedor | Cidades verdes e inteligentes | Compete 2030 Liga práticas ecológicas a crescimento económico sustentável | Sustentabilidade e inovação | Expresso , Acelerador de Sustentabilidade | Destaca papel da digitalização empresarial na transição urbana |. *Empresário, Investigador universitário e Ensaista André Veríssimo