pressmedia logo

"O FIM DE UMA ERA": MILÃO PRESTA HOMENAGEM AO ´REI´ ARMANI

FashionNetwork Portugal Online

2025-09-08 21:03:59

"O fim de uma era": Milão presta homenagem ao rei Armani Por AFP Publicado em 8 de setembro de 2025 Milhares de pessoas prestaram homenagem no passado sábado, 6 de setembro, ao rei Giorgio Armani, cujo corpo está exposto numa capela ardente do Teatro Armani, um local emblemático da estreita relação entre o estilista e a capital lombarda. O corpo de Giorgio Armani, que faleceu na passadaquinta-feira, esteve exposto em capela ardente do Teatro Armani de Milão até domingo - Stefano Rellandini / AFP O caixão de madeira clara do estilista, que nos deixou na passada quinta-feira aos 91 anos, esteve exposto debaixo de um ramo de rosas brancas, até ao funeral marcado para a tarde de segunda-feira, 8 de setembro. Entre as centenas de pessoas que desfilaram na sede da sua empresa multimilionária, que celebra este ano o 50.º aniversário, encontravam-se a ícone da moda italiana Donatella Versace e o presidente da Ferrari, John Elkann. Imponentes coroas de rosas foram colocadas à entrada da sala onde se encontra o caixão, ao fundo de um corredor de colunas de betão bruto. Funcionários e visitantes anónimos acorreram para prestar a sua última homenagem junto à sede da Armani, num antigo bairro industrial de Milão, antes de apertarem a mão do seu companheiro Leo dellOrco. Segundo o diário italiano Corriere della Sera, Armani faleceu de insuficiência hepática súbita, na sequência de uma pneumonia que o obrigou a ser hospitalizado em junho. Um exemplo rígido Na frente da fila, de fato escuro e óculos escuros, centenas de empregados do grupo vieram assinar livros de condolências. "Era um homem incrível que nos marcou profundamente. Era um exemplo, severo, por vezes rígido, mas muito humano", comentou Silvia Albonetti, uma assistente de vendas do showroom masculino Emporio Armani, vizinho. A capela ardente esteve aberta das 9 às 18 horas (7h-16h GMT) de sábado e domingo no Teatro, uma antiga fábrica de chocolates da Nestlé transformada em 2001 pelo arquiteto japonês Tadao Ando na sede do grupo Armani e no local dos seus desfiles de moda. Minimalista e elegante, o edifício é um dos marcos de Milão, "a capital do estilo". Armani, chefe de um império multimilionário de artigos de luxo, com mais de 600 lojas em todo o mundo e mais de 9.000 empregados até ao final de 2023, tinha um "caso de amor" com a cidade, como sublinharam todos os títulos da imprensa italiana, repetindo uma das suas declarações vezes sem conta: "Milão é o centro do meu mundo, sempre me inspirou". "Vim prestar homenagem a um homem que representou a nossa cidade, é o fim de uma era", confessou à AFP Fanny Bucci, uma milanesa de 55 anos que veio com a mãe, à entrada da sala. Adorava as suas roupas, tanto para si como para os seus filhos. "Mostrou em várias ocasiões que estava presente, mas manteve-se reservado". "Transformar a elegância" "Reforçou a imagem do design italiano. E eu costumava ver fotografias dele quando era criança na China , foi o primeiro italiano que conheci", declarou Jonah Liu, 29 anos, com uma T-shirt Armani com a sua imagem. "A economia italiana era muito forte no seu auge. Esta era está a despedir-se de nós". Este estudante de Engenharia em Milão preparou uma carta (em mandarim) para Armani: "O senhor transformou a elegância italiana numa gramática geral da moda. Ensinou-nos que a simplicidade pode ser rica e a bondade pode ser forte", escreveu. Giorgio Armani, nascido em Piacenza (norte de Itália), em 1934, no seio de uma família modesta de origem arménia, estudou Medicina antes de trabalhar como vitrinista em Milão para os grandes armazéns La Rinascente. Foi em Milão que fundou a Giorgio Armani, em 1975, e sempre quis manter-se independente, recusando-se a ser cotado na bolsa. Debilitado há vários meses, Giorgio Armani foi obrigado a cancelar os seus desfiles masculinos em Milão, em meados de junho, por razões de saúde. Numa entrevista ao Financial Times publicada alguns dias antes da sua morte, o estilista, que não tinha filhos, declarou que os planos para a sua sucessão consistiam numa "transição gradual de responsabilidades" para os seus "colaboradores mais próximos, como Leo dellOrco", o responsável pela conceção das coleções masculinas, "membros da (sua) família e toda a equipa de trabalho". Por Taimaz Szirniks [Additional Text]: O corpo de Giorgio Armani, que faleceu na passadaquinta-feira, esteve exposto em capela ardente do Teatro Armani de Milão até domingo