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DILEMA NA ALEMANHA: HÁ UM RUMO “MAIS INTELIGENTE” NA TRANSIÇÃO PARA ELÉCTRICOS

AEIOU.pt Online

2025-09-09 21:06:05

Volkswagen Indústria automóvel alemã lança ofensiva eléctrica mas, ao mesmo tempo, deixa alerta sobre o anunciado fim dos motores de combustão. 2035. Nesse ano, os carros movidos a combustíveis não vão desaparecer na União Europeia. Mas é nesse ano que, em princípio, vão deixar de ser vendidos carros novos com motor de combustão convencional. O futuro é a aposta nos eléctricos. Na Alemanha, país líder na indústria automóvel, está a decorrer uma “ofensiva” de automóveis eléctricos na exibição internacional de Munique, que arranca nesta terça-feira. Mercedes, Volkswagen ou Audi vão apresentar novidades eléctricas neste evento. Mas, ao mesmo tempo que se faz essa ofensiva na direcção da transição eléctrica, os responsáveis deixam alertas sobre o anunciado fim dos motores de combustão, salienta o Handelsblatt. “Há um caminho mais inteligente para a transição verde do que as proibições”, comentou Ola Källenius, director da Mercedes-Benz. O responsável está contra uma data fixa para o fim dos motores de combustão; defende também uma maior abertura tecnológica. Já da parte da Bosch, Stefan Hartung pediu que sistemas alternativos, como os híbridos plug-in, tenham um futuro “para além de 2035, uma vez que contribuem para a redução das emissões” , o empresário espera um aumento da procura de híbridos em todos os mercados. O director da Volkswagen, Oliver Blume, quer previsões mais realistas: “Vemos a mobilidade eléctrica como a tecnologia líder do futuro. Mas acho irrealista termos exclusivamente mobilidade eléctrica até 2035“. Isto porque, alega, a Europa “não deve atrapalhar o seu próprio caminho”. Em vez de proibições rígidas, explica, é preciso haver “verificações regulares da realidade”. Arnd Franz, responsável da Mahle (empresa alemã de peças automóveis), até deixa uma ameaça: se a proibição dos motores de combustão entrar em vigor, “empresas como a Mahle não terão outra escolha senão retirar-se da Europa no que diz respeito aos componentes para motores de combustão”. Apostam noutros mercados globais e haverá “perdas massivas de emprego” na Europa. Os dados oficiais mostram que a transição para os eléctricos está a progredir muito mais lentamente do que muitos previam. Em específico na União Europeia, só 15% dos automóveis novos são totalmente eléctricos. Nas carrinhas a taxa desce para 9% e nos camiões o número é ainda mais residual (3,5%). Há dois motivos fortes para este crescimento lento: o preço dos eléctricos e o fim dos subsídios em diversos países. E a incerteza não ajuda: “Qualquer pessoa que fale sobre a proibição dos motores de combustão está a incomodar os compradores de automóveis, agora. Os compradores inseguros são maus compradores“, alerta o especialista no mundo automóvel, Ferdinand Dudenhöffer. Ferdinand defende que quem não tem a certeza sobre comprar um carro com motor de combustão ou um carro eléctrico, tem optado por não comprar nenhum , e este é o maior prejuízo para os fabricantes. O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, deixa outra perspectiva importante: “Precisamos de fazer algo em relação aos preços da energia. Isto terá um impacto enorme. Os fabricantes de automóveis podem levar os produtos certos para o mercado pelo preço certo, mas isso por si só não chega”. ZAP // ZAP