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GUIMARÃES, LISBOA E PORTO JOGAM NÍVEL AVANÇADO DE “SIMCITY” PELO AMBIENTE

Negócios Online

2025-09-10 13:11:04

Projeto CITY4CLIMATE, financiado pelo PRR, pretende olhar para as emissões de gases com efeito de estufa e simular em tempo real o impacto de ações políticas para as reduzir em Lisboa, Porto e Guimarães. Modelo pode depois ser replicado. Foto em cima: Miguel Castro Neto, diretor da Nova IMS, que tem a liderança científica do projeto CITY4CLIMATE. Um consórcio, formado por 15 parceiros, que junta a academia, empresas e municípios, lançou-se no desafio de conceber “gémeos digitais” que vão permitir monitorizar, simular e prever o impacto de políticas públicas em tempo real para apoiar a tomada de decisão e acelerar os esforços de descarbonização urbana. Lisboa, Porto e Guimarães vão ser as “incubadoras” do projeto, financiado em 1,5 milhões de euros pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) centrado em concreto nas emissões de gases com efeito de estufa. Este projeto vai criar uma réplica digital, tridimensional do mundo real, em que sobre toda a informação podemos simular potenciais intervenções e visualizar os resultados. Miguel de Castro Neto, Diretor da NOVA IMS Denominada CITY4CLIMATE, a iniciativa pretende “criar uma réplica digital, tridimensional do mundo real, onde não só podemos visualizar toda a informação que as plataformas de gestão urbana são capazes de recolher, mas sobre ela simular potenciais intervenções e visualizar os resultados”, explica Miguel de Castro Neto, diretor da NOVA Information Management School (NOVA IMS), que assume a liderança científica do projeto que arrancou no verão. Estes “gémeos digitais” - explica - pretendem responder a um desafio enorme no contexto da neutralidade carbónica: a monitorização das emissões dos gases com efeitos de estufa. “À data de hoje, quando monitorizamos estas emissões, esta avaliação é feita com um desfasamento temporal excessivo. Por exemplo, em Lisboa, se quiser conhecer as emissões, os dados mais recentes remontam a 2023. Isso significa que se houver uma ação política pública local para implementar à data de hoje só vou conseguir avaliar o impacto na redução das emissões daqui a dois anos - o que não é eficaz”, argumenta Miguel de Castro Neto. Ora, com este projeto, “vai ser possível ligar causa e efeito no contexto da neutralidade carbónica ao o que efetivamente está a acontecer na cidade, simulando uma ação e avaliar o impacto dela dentro do gémeo digital”, complementa. 70Emissões de CO2 75% dos cidadãos da UE vivem em áreas urbanas, as quais são, globalmente, responsáveis por mais de 70% das emissões de CO2. Miguel de Castro Neto compara o projeto, que descreve como “verdadeiramente disruptivo e muito desafiante”, a um nível avançado de “SimCity”, o popular videojogo de simulação de cidades, lançado originalmente no final da década de 1980. Estas três cidades não surgem ao acaso. Fazem parte de uma missão da União Europeia (UE) que junta 100 cidades na ambição de terem impacto neutro até 2030 que vão servir de “faróis” relativamente a boas práticas para depois serem replicadas à escala europeia. Segundo dados oficiais, 75% dos cidadãos da UE vivem em áreas urbanas, as quais são, globalmente, responsáveis por mais de 70% das emissões de CO2. Modelo pensado para ser replicado Lisboa, Porto e Guimarães contam com “as plataformas de gestão urbana mais sofisticadas do país”, mas conceber protótipos funcionais de gémeos digitais levanta o “desafio da heterogeneidade”, realça o professor. Por essa razão, “o que vai ser feito é agnóstico da infraestrutura tecnológica de cada uma. Estas três serão as cidades serão o teste para ver se poderá depois ser replicado independentemente da plataforma”, sublinha. Alinhado com a Estratégia Nacional para os Territórios Inteligentes (ENTI), a CITY4CLIMATE tem como resultados esperados, além da criação de protótipos funcionais de gémeos digitais para as três cidades-piloto, a disponibilização de relatórios abertos com indicadores climáticos e metodologias e precisamente o desenvolvimento de ferramentas “open-source” para replicação noutros territórios, segundo a NOVA IMS. Como efeito, como indica Miguel de Castro Neto, Aveiro, Famalicão e Oeiras estão como “cidades colaboradoras” a acompanhar o projeto para que, quando terminar, em junho de 2026, o possam usar de imediato. A arquitetura tecnológica do projeto assenta na integração de dados em tempo real provenientes de sensores IoT, satélites e plataformas municipais, combinada com modelação preditiva, simulação de cenários e visualização 3D interativa. A liderança técnica da CITY4 CLIMATE está a cargo da Porto Digital, associação privada sem fins lucrativos criada em 2004 pela Câmara Municipal do Porto, pela Universidade do Porto e pela Associação Empresarial de Portugal (AEP), em colaboração com a empresa Metro do Porto, que é responsável por implementar a estratégia do município para as áreas da inovação e da transição digital. “Este projeto acrescenta a possibilidade de conseguirmos ir um pouco mais além do ponto de vista daquilo que é disrupção tecnológica. Traz inovação disruptiva em cima, no nosso caso, de uma infraestrutura consolidada e utilizada no dia-a-dia pelas nossas equipas ao introduzir uma componente de simulação que vai beneficiar do nosso manancial de informação”, realça o CEO da Porto Digital, Paulo Calçada. Há muito que a Porto Digital aposta - e investe - nos dados. Só para se ter uma ideia, no ano passado, a plataforma de gestão urbana do Porto “ultrapassou os 3.000 milhões de eventos” relativos a indicadores do funcionamento da cidade, que vão desde a contagem de veículos na rua, até aos níveis de temperatura, de pluviosidade, de ruído ou da qualidade do ar. “São dados de apoio à decisão. Sem dados e sem dados de qualidade não conseguíamos dar este salto”. Este projeto surge, assim, em certa medida, como uma evolução natural para o dirigente da Porto Digital: “Depois de termos feito a arquitetura de referência para as plataformas urbanas estamos a criar a arquitetura de referência para os gémeos digitais, que adiciona uma camada de informação que replica o cenário real da cidade e sobre isso permite fazer simulação”. Simular cenários vai ajudar a escolher as melhores políticas, ou seja, as que terão mais impacto, na ambição das três cidades de serem neutras do ponto de vista carbónico. Paulo Calçada, CEO da Porto Digital Como simplifica Paulo Calçada, a plataforma urbana funciona como uma espécie de sistema operativo da cidade, ligada a um conjunto de interfaces que produzem dados através dos sensores, pelo que o que CITY4CLIMATE traz de diferente é adicionar ferramentas que ainda não existiam”. “Simular cenários vai ajudar a escolher as melhores políticas, ou seja, as que terão mais impacto, na ambição das três cidades de serem neutras do ponto de vista carbónico”. Quando chegar a hora de adotar o “gémeo digital” cada uma das cidades, dada diferença de maturidades tecnológicas, terá de desembolsar para “nivelar”. Considerando que na área das “smart cities” o investimento sido tem sido feito de “uma forma fragmentada”, Paulo Calçada chama a atenção para a importância de se encontrarem outras fontes de financiamento. E explica porquê: “Fiz parte do júri da construção da plataforma de gémeos digitais da cidade de Roterdão que investiu 12 milhões de euros. É muito difícil para uma cidade portuguesa investir 12 milhões numa infraestrutura em que ainda existe muita disrupção associada, porque pode haver erro e ser um investimento que se perde. Por isso, é muito importante quando entram estes projetos cofinanciados - nacionais ou internacionais - porque reduz muito o risco da cidade”. .article .texto .citacao { margin:60px auto 45px; } “Acho que a fórmula de sucesso, que reforça projetos como este, será a cidade investir na sua plataforma base, nos sensores, mas naquilo que pode ser disruptivo ou ter risco de inovação procurar ir buscar financiamento via projetos europeus”, conclui. Diana do Mar dianamar@negocios.pt [Additional Text]: Diana do Mar Retrato de homem de óculos, fato e camisa branca Diana do Mar