PCP AVISA QUE GOVERNO ESTÁ A TRAÇAR A SUA DERROTA COM ALTERAÇÕES LABORAIS
2025-09-10 21:03:52

Raimundo defende que a “derrota política e social” do Governo de Passos Coelho começou com a Taxa Social Única e prevê que o mesmo vai acontecer ao executivo de Montenegro com a reforma laboral. O secretário-geral do PCP avisou esta terça-feira que o Governo está a traçar a sua "derrota política e social" se avançar com as alterações laborais e advertiu o PS que o combate a essas medidas "não vai lá com proclamações". Paulo Raimundo esteve esta tarde à porta da OGMA, em Alverca, para distribuir panfletos de apelo à mobilização contra as alterações à legislação laboral aos trabalhadores que terminaram o seu turno às 14h30. Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral do PCP considerou inadmissível que, "perante a instabilidade da vida, a fragilidade dos salários, a situação difícil de quem trabalha", o Governo proponha um pacote laboral que visa "aumentar ainda mais os despedimentos com justa causa", "desregular completamente os horários" ou "alargar a duração dos contratos a prazo". "Os trabalhadores precisam de tudo, menos disto. Precisam de mais direitos, mais salários, mais estabilidade, menos tempo de trabalho. Estamos perante uma declaração de guerra aos trabalhadores", defendeu Paulo Raimundo. O secretário-geral do PCP frisou que já teve a oportunidade de recordar ao primeiro-ministro que, quando o Governo de Pedro Passos Coelho, em 2012, "quis mexer na Segurança Social, nomeadamente na Taxa Social Única (TSU), aí iniciou-se a sua derrota política e social". "E é isto que o Governo está a traçar: a sua derrota política e social com esta declaração de guerra aos trabalhadores", sustentou. Questionado sobre como é que viu as declarações do secretário-geral do PS que, esta manhã, pediu ao Governo que congelasse as alterações laborais e apelou a um "sobressalto cívico", Paulo Raimundo respondeu com ironia. "Isto não precisa de congelamentos, porque sabe que as alterações climáticas têm esse problema: a temperatura aumenta e, de repente, descongela. A gente não precisa de congelamento, a gente precisa de travar isto, de acabar com isto", sustentou. O secretário-geral do PCP disse já estar habituado a declarações como: "Ai, ai que eu vou-me a eles". E interrogado se desconfia das afirmações de José Luís Carneiro, disse que não quer desconfiar, mas referiu que o combate às alterações laborais "não vai lá com proclamações". "Isto não é uma peça isolada de uma opção política. Isto é uma peça da opção política geral do Governo", disse, antes de abordar as declarações de José Luís Carneiro no final de Agosto, nas quais indicou que o PS votaria contra o Orçamento do Estado se contemplasse as alterações à legislação laboral defendidas pelo executivo. "O PS bem pode fazer aquela figura de dizer vamos negociar o Orçamento do Estado porque a legislação laboral ficou fora do Orçamento do Estado. A legislação laboral nunca esteve no Orçamento do Estado. Isto é para nos entretermos e é uma falsa questão", frisou. Paulo Raimundo disse assim esperar que o PS não esteja a fazer essas declarações com o intuito de criar um "pretexto para negociar com este Governo a continuação desta política a partir do Orçamento do Estado". No entanto, o secretário-geral do PCP ressalvou que "todos os que vierem" para o combate à legislação laboral "são bem-vindos". Mas frisou que esse combate deve ser feito "no concreto e não na teoria", designadamente "nas empresas, nos locais de trabalho" e, no dia 20 de Setembro, na manifestação convocada pela CGTP em Lisboa e no Porto. Questionado se a contestação às alterações laborais também deve contemplar o recurso a greves, Paulo Raimundo disse que sim, frisando que devem ser contempladas todas as formas "que os trabalhadores acharem necessárias para responder a esta declaração de guerra". "Esta gente põe o país, a economia a funcionar, garante que isto tudo anda para a frente. Criam a riqueza todos os dias no país. Ora, esta gente não precisa de ser espezinhada, precisa é de ser valorizada. Mais salários, mais estabilidade, mais direitos. É isto que é preciso", defendeu. Lusa