pressmedia logo

TERESA LAMEIRAS CONSTRUIR SONHOS AO VOLANTE DA COMUNICAÇÃO - ENTREVISTA

Activa

2025-09-10 21:04:57

“Nunca senti que as equipas não gostassem de ser lideradas por mulheres, mas senti colegas e até alguns administradores ameaçados pelo poder, influência e compefência de uma mulher.” Teresa Lameiras é sinónimo de liderança, criatividade e determinação. Começou cedo, aos 19 anos, na Rádio Renascença, conciliando a vida profissional com o curso de Direito. Mais tarde, encontrou a sua verdadeira vocação no setor automóvel, onde marcou presença durante mais de três décadas e deixou uma marca indelével em marcas como SEAT, Volkswagen, Audi, koda, Bentley, Lamborghini, Volkswagen Veículos Comerciais e Cupra. Fundadora da SEAT Portugal, distinguida como Marketeer do Ano em 2011 e finalista do European Marketer of the Year 2024, despediu-se em 2025 da direção de comunicação e marca da SIVA para abraçar novos rumos pessoais. Mulher de família, viajante, leitora e amante de música, Teresa acredita que não há empregos de sonho, mas sim sonhos que se constroem todos os dias. 9 npreendedoras Começou a trabalhar muito cedo, aos 19 anos, enquanto estudava Direito. Que memórias guarda dessa fase da sua vida? Tenho excelentes recordações dos tempos da rádio onde aprendi coisas verdadeiramente importantes que moldaram muito do que hoje sou a importância de trabalhar em equipa, o respeito por quem sabia mais do que eu, a busca pela partilha de conhecimento, a importância da palavra, da síntese (bem ao contrário de direito), da caducidade da notícia, da reportagem, pois tudo acabava naqueles minutos seguintes a ir para o ar, com o consequente desafio de nos reinventarmos por algo novo, todos os dias. As pessoas, como sempre, foram marcos importantes, inspiradores alguns, outros não tanto mas a verdade é que passados todos estes anos ainda mantenho contacto com os colegas e fico muito honrada por participar nos almoços que anualmente realizam. O que a fez trocar o Direito pela área de Marketing e pela Comunicação? Estava na rádio e continuei, gostava muito do que fazia, fossem programas ou reportagens. Gosto verdadeiramente da área da comunicação e tive o privilégio de a exercer em múltiplas áreas, que também fizeram parte da minha carreira para além das tradicionais como as Relações Públicas e o Marketing. Fui Diretora de Formação com a área comercial e de pós-venda e formação interna, fui responsável de RH, tudo áreas onde a comunicação, aplicada de distintas formas, é um fator crítico de sucesso. Entrou na área automóvel em 1989, num setor historicamente masculino. Quais foram os principais desafios e conquistas nessa integração? Acho que, como hoje, a competência. Nunca me senti discriminada, mas isso não significa que não tenha tido que provar mais. Nunca senti que as equipas não gostassem de ser lideradas por mulheres, mas senti colegas e até alguns administradores ameaçados pelo poder, influência e competência de uma mulher. As conquistas foram várias, pois passei a maior parte da minha carreira numa multinacional que reconhecia o valor dos profissionais pelo seu trabalho, independentemente do género. Recebi vários prémios de marketing e comunicação/relações públicas para Portugal pelo trabalho da nossa equipa, mas também alguns individuais. Sente que ajudou a abrir caminho para mais mulheres em posições de liderança no setor automóvel? Acho que sim, mas de forma muito natural, sem ser uma estratégia. Fui a primeira mulher diretora de marketing de uma National Sales Company em Portugal, com as várias outras funções que desempenhei. Derrubou-se o dogma que só os homens gostam de carros e sabem de produto ou como comunicar com o público-alvo. Diz não acreditar em empregos de sonho, mas sim em sonhos construídos todos os dias. Pode explicar melhor essa filosofia? Todos os dias devemos dar o nosso melhor, individualmente e em equipa, para construir aquilo a que nos propomos. Fazemos parte decisiva do sucesso, do tal sonho que queremos Ver realizado. Definimos uma estratégia a longo e a curto prazo e percorremos o caminho. ê uma construção mais lenta às vezes, mais acelerada noutros momentos. A construção desse sonho é um processo conjunto e partilhado, com diferentes níveis de conquista. Não existe um emprego de sonho mas sim aqueles que nos dão a oportunidade de ir concretizando vários ao longo da jornada, pela liberdade criativa, pelo acompanhamento das nossas ideias, pela retribuição justa, pela oportunidade de evoluir e nos superarmos, pela imargem para o erro, pelo espaço à criatividade e sonho, pelo bom ambiente, pelo equilíbrio na vida. Mas todos temos que contribuir e depende também do contributo de cada um de nós. Sempre valorizou muito o tempo em família. Como conseguiu manter esse equilíbrio ao longo de três décadas de carreira num ambiente tão exigente? Foi sempre um desafio partilhado com o meu marido, com uma carreira igualmente exigente, muita organização e apoio da família. E quando cresceram, explicar-lhes sempre que a profissão faz parte e é importante para o equilíbrio, para a realização pessoal. Acho que sempre consegui conciliar e isso é das coisas que mais me orgulho. Agora que está noutra fase, quais são os seus planos? Mais viagens? Novos projetos ligados à comunicação? Agora estou a saborear o tempo por oposição à correria habitual, tendo mais oportunidades para fazer o que gosto e estar com quem é importante. Claro que viajar, estar mais vezes sem a pressão do tempo com amigos e família é maravilhoso e algo a que facilmente nos habituamos. Mas OS filhos têm os seus ritmos, as suas vidas, e é importante saber estar bem connosco mesmos, com o meu marido, que também está, felizmente, na mesma fase. Vou também fazer parte do conselho consultivo da SIC Esperança, do Conselho Estratégico da Associação Portuguesa de Profissionais de Marketing e do seu programa de mentores e do conselho consultivo da Marketeer. Quanto a outros projetos, irei sempre analisar e decidir. Que conselho deixaria aos jovens que estão agora a começar a carreira? Que lutem pelos seus projetos e não se deixem esmagar pela força do internacional, há sempre espaço para alguma adaptação nacional; que estejam sempre atentas à evolução e não resistam à mudança, que se rodeiem de pessoas sempre melhores que elas para crescerem e que nunca deixem cair os seus valores para chegar onde querem. O que considera essencial para ser uma verdadeira mulher empreendedora? Segurança e competência. Pessoas inseguras a gerir é muito complicado veem fantasmas que são sobretudo os seus não confiam, rodeiam-se de pessoas piores que elas pois sentem-se sempre ameaçadas, não conseguem verdadeiramente trabalhar em equipa. E se são mulheres, tantas Vezes são piores para as pares aliando-se e dizendo “prefiro trabalhar com homens“ com o orgulho parvo de quem descrimina pelo sexo em busca de aliados, em vez de se afirmar pela competência. @ Distinguida ao longo da sua carreira com vários prémios nacionais e internacionais de marketing e comunicação, Teresa recebeu, em 2011, o título de Marketeer do Ano e, mais recentemente, foi finalista do European Marketer of the Year 2024. A esq-, com o Prémio Carreira entregue pela revista Marketeer. Em baixo, durante um evento, com a ceramista Anna Westerlund. A antiga diretora de comunicação da SIVA com os seus cães, Roxy e Bali. Em baixo, com a neta, Benedita, atualmente com dois anos. FOTOS: DR Cláudia Alegria