ARQUITECTURA - CASAS EM MOVIMENTO CHEGA A LISBOA
2025-09-11 13:43:04

Sustentabilidade. Tecnologia desenvolvida pela spin-off da faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, “Casa em Movimento”, chega a Lisboa para alimentar a Alameda EcoDigital que vai nascer em Outubro na freguesia de Benfica Casas em Movimento chega a Lisboa Fotos: DR “Casa em Movimento” é um projecto do arquitecto Manuel Vieira Lopes e tem por base o desenvolvimento de uma tecnologia para a edificação de edifícios que, literalmente, seguem o sol enquanto produzem energia limpa. Este conceito de arquitectura sustentável e dinâmica, foi desenvolvido pelo arquitecto, durante o seu mestrado na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), em 2008. Dois anos depois, nasce a empresa spin-off da Universidade do Porto, que tem por base “uma arquitectura viva”, assente em tecnologia, inovação e preocupações ambientais, que cria edifícios que não só se adaptam às necessidades dos seus utilizadores como ao ambiente circundante, e que tem por base os princípios da modularidade e flexibilidade, inclusive, em última instância podem ser movidos para outros locais. A tecnologia, hoje patenteada em mais de sete dezenas de países, ganhou prémios internacionais incluindo uma menção honrosa no Solar Decathlon Europe em 2012, em Madrid, onde foi apresentado um protótipo. Mais recentemente a sua inscrição no âmbito do PT2020, contou com um investimento superior a 3,5 milhões de euros e atingiu uma execução de 97,57%. A base destes edifícios é a sua estrutura rotativa e cinética, assente no solo, que permite, de uma forma controlada, que o edifício rode 360® no seu eixo para aproveitar ao máximo a exposição solar. O movimento encontra inspiração na natureza, na flor do girassol, que roda sobre si próprio para acompanhar o sol. Estas “Casas em Movimento” podem ser tanto uma casa de família como ter um uso público, tornando-se assim mais uma peça, essencial, no desenho de uma “smart-citie”. Ao longo dos anos o projecto foi desenvolvendo, adaptando e incorporando Os avanços tecnológicos no domínio da sustentabilidade, mas também da inteligência artificial, com os últimos protótipos a incorporar um sistema de Inteligência Artificial que lhes permite a adaptação em tempo real, de forma autónoma, às condições meteorológicas e às condições de utilização do espaço. Cada um destes edifícios produz mais energia do que consome com capacidade para gerar 16.000 kWh/ano, evitando a emissão de cerca de 10 toneladas de dióxido de carbono, de acordo com os dados publicados no site da empresa. Os excedentes de energia podem então ser utilizados em equipamentos pú- blicos como bancos inteligentes, carregadores de telemóveis e veículos eléctricos, além de permitirem carregar os ecrãs digitais informativos. LISBOA ESTà A CONSTRUIR A SUA PRIMEIRA “CASA EM MOVIMENTO” Em Outubro, a primeira “Casa em Movimento” será inaugurada em Lisboa, mais precisamente em Benfica, sendo parte essencial da iniciativa desenvolvida pela junta de freguesia local que visa criar uma “Alameda Eco-Digital”, na alameda âlvaro Proença. Aqui irá nascer uma galeria de exposições a céu aberto e cinema ao ar livre. Esta galeria será constituída por 12 ecrãs interactivos (mupi-digitais) e versáteis que irão acolher desde informações relevantes do território, cartazes, detalhes sobre o património do Bairro ou demonstrações das mais diversas formas de arte, entre outras funcionalidades. “A Alameda Eco-Digital é um projecto há muito ambicionado para a nossa comunidade, que continuamos a querer trazer para a rua, para “Viver o Bairro”. Insere-se também na nossa estratégia de modernização e foco na sustentabilidade, permitindo criar uma verdadeira alameda digital, com diferentes ecrãs digitais alimentados precisamente por esta Casa Em Movimento”, explica ao CONSTRUIR, Ricardo Marques, presidente da Junta de Freguesia de Benfica. A cobertura do edifício será revestida de painéis fotovoltaicos, a qual também se move: inclina-se até 90 graus para criar sombras no Verão (reduzindo o consumo de ar condicionado em até 80%) ou maximiza a exposição solar no Inverno. Os movimentos podem ser automáticos (se-guindo o sol via algoritmo) ou manuais, controlados por uma app móvel ou comandos de voz. o consumo energético para esses movimentos é mínimo, equivalente a seis lâmpadas de 60w ligadas por uma hora. “Este edifício inovador, sustentável e inteligente produz mais energia do que consome. Roda para acompanhar o sol, maximiza a produção de energia solar e adapta-se ao clima e ao uso dos moradores. Será um espaço de experimentação ligado à transição energética e à inovação urbana, aberto à comunidade de Benfica”, acrescenta Ricardo Marques. A energia ali produzida e armazenada vai alimentar desde OS MUPIs digitais a bancos inteligentes, carregadores públicos e soluções ligadas à mobilidade eléctrica e à eficiência energética. Nasce, assim, um espaço “mais um espaço de todos e para todos, onde poderemos ter sessões de cinema ao ar livre, exposições temporárias, entre outras. São tudo formas de nos conectarmos ainda mais ao nosso Bairro e às pessoas que o integram, estamos cada vez mais ligados”, sublinha Ricardo Marques. O espaço, com inauguração prevista para Outubro de 2025, será aberto à comunidade, acolhendo acções de sensibilização ambiental, visitas escolares, actividades sobre mobilidade sustentável, inovação urbana e eficiência energética. C Tecnologia desenvolvida pela spin-off da faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, chega a Lisboa para “alimentar” a Alameda Eco-Digital que vai nascer em Outubro na freguesia de Benfica Outras “Casas em movimento” nacionais Além de habitações, a tecnologia aplica-se a hotéis, restaurantes, quiosques ou resorts em movimento, criando “hubs” para smart cities, que, no fundo, são o cerne da ideia. Actualmente, há vários protótipos funcionais em Portugal: em Matosinhos (terceiro protótipo, desde 2017, no cruzamento das ruas de Goa e Alfredo Cunha), serve como showroom e gira para seguir o sol; em Viana do Castelo (desde 2023), integrado no "VIANA S+T+ARTS CENTRE” (financiado pelo Novo Bauhaus Europeu), em parceria com a Metaloviana, focado em edifícios urbanos sustentáveis. Versões mais simples, como quiosques em movimento para municípios (iniciado com a câmara de Matosinhos em 2017), expandem o conceito para espaços públicos, com ecrãs informativos e energia excedente para a rede local. A base destes edifícios é a sua estrutura rotativa e cinética, assente no solo, que permite, de uma forma controlada, que o edifício rode 360® no seu eixo para aproveitar ao máximo a exposição solar. o movimento encontra inspiração na natureza, na flor do girassol, que roda sobre si próprio para acompanhar o sol Manuela Sousa Guerreiro