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AFINAL OS SALÕES DE AUTOMÓVEIS AINDA NÃO MORRERAM. PENSAVA EU

Razão Automóvel Online

2025-09-11 21:06:56

Até parecia, como neste Salão de Munique, que os salões automóveis como os conhecíamos estavam com vontade de regressar, mas não. Não mesmo. Está a decorrer mais uma edição do Salão de Munique, ou o IAA Mobility 2025. As marcas presentes e tudo o que estava programado para acontecer ao longo destes dias - foram reveladas muitas e importantes novidades - fizeram com que, por momentos, parecesse que os salões de automóveis de outrora estavam de volta. Mas afinal Ainda me recordo dos dias que antecipavam cada salão automóvel, antes de haver internet e de ver tudo espalhado pelo ciber-espaço muito antes do salão abrir. Nessa altura havia, de facto, surpresas que apenas eram reveladas no primeiro dia do salão, ou então, um dia antes, dedicado à imprensa. E estas novidades continuavam disponíveis durante todos os dias do evento, para que o público as pudesse conhecer. © André Mendes / Razão Automóvel Entrada do IAA Mobility 2025 na Messe Müchen Não é novidade que os salões automóveis já não são o que eram. E com a pandemia, a magia dos salões quase que desapareceu. Primeiro, porque as marcas deixaram de investir como antes neste tipo de evento. Depois, porque o público em geral deixou de precisar de se deslocar a um salão para conhecer as principais novidades sobre quatro rodas. Houve também uma mudança ou transferência para outro tipo de eventos, capazes de atrair muito mais pessoas, como o Goodwood Festival of Speed ou até mesmo as 24 horas de Le Mans, por exemplo. A antecipação deste IAA Mobility, no entanto, começou a fazer-me pensar que ia voltar a assistir a um dos mais importantes salões de automóveis. Mas, na realidade, não foi nada disso que aconteceu. Em torno do salão Em Munique, dias antes do salão, diversas marcas organizaram eventos paralelos, já que muitos representantes da imprensa mundial iriam estar presentes na mesma área. O Grupo Volkswagen organizou o evento habitual no qual estiveram presentes todas as novidades e os modelos mais recentes do grupo. Até estiveram presentes protótipos de futuros lançamentos como o Volkswagen ID.Polo ou o CUPRA Raval. Também perto de Munique, a Renault revelou a sexta geração do Clio, com a presença de Laurens van den Acker, que assinou o seu design, dos responsáveis de produto e até de Fabrice Cambolive, o primeiro Chief Growth Officer - diretor-executivo de crescimento - do grupo francês, um cargo que acumula com o de diretor-executivo da marca Renault. Uma das grandes diferenças, é que o evento do IAA Mobility de Munique não está centrado nos pavilhões do Messe Müchen - uma espécie de FIL de Lisboa, ainda que numa dimensão diferente. Muitos dos espaços construídos pelas marcas para mostrar as novidades ao público nestes dias, estavam mesmo no centro histórico da cidade alemã. A CUPRA, por exemplo, criou uma mega-estrutura com um desenho incrível, sendo que no seu interior estava toda a recente gama da marca e o novo protótipo Tindaya em estreia mundial. Um pouco mais atrás, o espaço da Mercedes-Benz era ainda maior, juntando o passado com o futuro da marca. Aqui, não só estava um 280 SE 3.5 Coupé do final dos anos 60, equipado com um motor V8 e uma grelha frontal que se iria tornar icónica, como também o novo protótipo AMG GT XX, com mais de 1300 cavalos, acabado de regressar de Nardò, onde bateu alguns recordes de velocidade. O destaque, no entanto, era o novo GLC 100% elétrico. Então e o Salão? Ao longo da Odeonsplatz, a maioria das marcas expunha as suas principais novidades, acompanhadas dos restantes modelos da gama. Algumas em estreia absoluta, outras já sobejamente conhecidas. E se tudo isto por aqui estava assim e com a afluência de gente que mal deixava olhar para os carros, como estaria então o Salão? Bem, só havia mesmo uma forma de descobrir. Uma vez que o Salão de Mobilidade não tinha um transfer disponível, os TVDE em Munique também servem como alternativa e a expetativa estava em alta, confesso. Um salão de automóveis à antiga, que saudades. Com a acreditação de imprensa efetuada previamente, bastou passar pelo controlo da entrada para que, cinco segundos depois, tivesse um cartão de identificação pendurado ao pescoço. No primeiro pavilhão, o destaque era o espaço do Grupo Volkswagen. Ao entrar, as marcas não estavam bem à vista e sim mais atrás. Antes de chegar à Volkswagen, tive de passar pelo espaço da XPeng, no qual estava exposto o seu novo e arrojado P7, que chegará em breve à Europa. Pelo canto do olho, vi que o Volkswagen ID.Every1 - que vai ser produzido em Palmela -, era um dos destaques do grupo alemão, sendo que no interior ainda estava o mais recente ID.Cross Concept, que já tinha visto na cidade. Outra das novidades era a pick-up elétrica gigante da Scout, destinada ao mercado norte-americano e a fazer frente a marcas como a Rivian, por exemplo. Mas, onde estavam todas as outras novidades? Foi aqui que começou a desilusão. IAA Summit, não um salão Com exceção feita às principais marcas da casa (alemãs) e a diversas marcas chinesas, o resto era praticamente inexistente. E mesmo estas, que tinham apresentado novidades importantes na véspera, algumas ainda em formato de protótipo camuflado - Volkswagen ID.Polo e CUPRA Raval -, já os tinham retirado do espaço, deixando ficar apenas os modelos que já todos conhecíamos. A BMW destacava-se pelo novo iX3, a Mercedes-Benz pelo GLC elétrico e a Audi pelo Q3 Sportback e-hybrid. A Opel mostrou o seu novo protótipo Corsa GSE Vision Gran Turismo, que vamos poder conduzir no jogo homónimo e basicamente era isto que se podia ver no IAA Mobility de Munique. Todos os cinco pavilhões e meio, estavam mais preenchidos com empresas de tecnologia, startups e muitas outras, preparadas para mostrar a sua tecnologia. Havia alguns palcos para conferências, áreas gigantes para refeições, espaços de trabalho com sofás confortáveis e nada mais. O IAA Mobility, afinal, não é um salão de automóveis e sim um salão do setor automóvel. Muita tecnologia, muitas soluções para o futuro. Modelos novos, nem tanto, principalmente para o público em geral, uma vez que muitas das novidades já tinham desaparecido. A festa, afinal, era mesmo no centro da cidade. O salão propriamente dito, para mim, foi uma desilusão que pouco ou nada tinha a ver com a festa dos salões de automóveis de antigamente. Nem de perto André Mendes