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ADVOGADA PÔS DROGA NO CARRO DE EX-CLIENTES E CHAMOU A POLÍCIA

Jornal de Notícias

2025-09-11 21:07:07

Advogada inventou que clientes traficavam e queimou-lhes carros Acusação do Ministério Público imputa denúncia caluniosa e dano qualificado, entre outros crimes, a jurista e ao marido, contabilista justica@jn.pt ESPOSENDE o Tribunal de Braga vai julgar uma advogada de Esposende e o marido, contabilista, POE, alegadamente, terem caluniado, ameaçado e perseguido um casal da cidade, inventando que trafícavam droga e incendiando-lhe dois automóveis. Joana Coutinho e Juvenal sá estão acusados pelo Ministério Público (MP) de crimes de denúncia caluniosa, tráfico de estupefacientes, perseguição, dano qualificado, incêndio, explosões e outras condutas especialmente perigosas. A acusação relata que a arguida era (e ainda é) advogada, inscrita na Ordem dos Advogados, com escritório em Esposende. Foi mandatada POr um casal, Jorge L. e Sónia F., para os representar. Assim, em 2020, apresentou-lhes uma fatura de 4350 euros, sendo que uma das parcelas, de 2000 euros, pagava um “recurso para o BPI, para prescrição da dívida feito em fevereiro de 2020”. Com a nota, a arguida apresentou uma troca de e-mails com a advogada do contencioso do BPI sobre o “empréstimo”. Num deles, podia ler-se: “Face ao recurso para este banco e face ao alegado pela dr. Joana, entendemos que a dívida prescreveu. Todavia, se pretende liquidar, o visado pode fazê-lo, mas nada o obriga”. . Só que o e-mail era falso e “visava convencer de que tinha obtido a prescrição da dívida”. O casal não pagou. Por isso, em 2021, a advogada enviou um e-mail à entidade empregadora do assis-tente do processo, Juvenal sá, dizendo que este devia 2658 euros e que lhe ia “penhorar o salário”. Apesar disso, a firma recusou. E o casal apresentou queixa-crime contra a jurista. o Ministério Público (MP) abriu um inquérito. REAçõES A RUEIXA-CRIME Ainda segundo a acusação, em outubro, a arguida procurou um cunhado das vítimas, pedindo-lhe que as convencesse a desistir. Como foi mal sucedida, ela e o marido “formularam um plano para obter a desistência e para se vingarem, incriminando-os de tráfico de droga”. A 17 de outubro, Juvenal sá terá ligado para a GNR, contando que existiam duas caixas de metal com estupefaciente, presas debaixo de um carro na Rua dos Rouxinóis, nas Mari-nhas. Logo após, dois militares da GNR encontraram as caixas, presas por íman õno chassis. Estavam revestidas com fita-cola e tinham canábis. A GNR comunicou o caso ao MP, que apurou que eram 44,4 gramas. Depois, querendo incutir medo, os arguidos enviaram uma SMS ao casal, simulando um negócio com drogas. Uma vez que o casal manteve a queixa, os arguidos delinearam e executaram um novo plano: a 28 de outubro, pelas 3 horas, com um acelerante líquido de combustão e um isqueiro, foram à rua onde estava o automóvel do casal. Ali, regaram o capô e atearam o fogo, causando um prejuízo de 6500 euros. A combustão provocou também danos de 5643 euros num BMW usado pela ofendida, calcula a acusação do MP.o Ministério Público acusa jurista e marido de perseguição a casal de Esposende Queixa deu origem a vingança que incluiu a destruição de dois automóveis pelo fogo P.12 SABER MAIS MP não aceitou desistência da queixa Em consequência da perseguição, e receando que tal continuasse a oconmer, o casal tentou, em janeiro de 2022, desistir da queiXa. No entanto, O Ministério Público não a aceitou, pOI entender que o casal o estava fazer sob coação. “Esta entrega é para levar a0 Caveira” Uma das caixas com droga tinha um bilhete manuscrito pela advogada, dizendo: “Entrega amanhã no mesmo sítio”. Noutra, foram deixados dois bilhetes: “Querida anda pagar o que falta da outra dose de 80 g”i e “esta entrega é para levar a0 Caveira”. Acusação vai ser julgada pelo Tribunal de Braga VINGANÇA Incêndio num BMW com latas de gás Após o incêndio da viatura, o queixoso passou a usar outro automóvel, de um cunhado. Aí, a advogada incluiu-o no plano de vingança, tentando que convencesse as vítimas a desistir da queixa. Assim, em janeiro de 2022, pelas 4 horas, com duas latas de gás inflamável sob pressão e um isqueiro, OS arguidos deslocaram-se à Rua de António Pascoal, onde estava o BMW. Ai, acionaram as latas de gás e provocaram o fogo, tendo atirado as duas latas para debaixo do capô, o que alastrou o incêndio, provocando danos de dez mil euros. A combustão causou ainda danos na janela do rés do chão da casa do lesado. Luís Moreira