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CRIANÇAS PORTUGUESAS PASSAM ATÉ 3H21 POR DIA EM FRENTE A ECRÃS

Atlas da Saúde Online

2025-09-11 21:07:08

Regressar às aulas sem ecrãs. Ansiedade, depressão, défice de atenção, obesidade e isolamento social são consequências do uso excessivo que ameaça criar uma geração ansiosa, sedentária e dependente, alerta a Saluslive. As crianças portuguesas estão a passar muito mais tempo em frente a ecrãs do que o recomendado internacionalmente. De acordo com dados nacionais: Crianças em idade pré-escolar (3 a 5 anos): média de 2h34 por dia (154 minutos) Crianças em idade de ensino básico (6 a 10 anos): média de 3h21 por dia (201 minutos) A Saluslive, referência nacional em intervenção pediátrica, avança com as recomendações internacionais, que são claras: não mais do que 60 minutos diários para os mais novos e até 2 horas diárias para os mais velhos. Ou seja, a maioria das crianças portuguesas já ultrapassa largamente os limites considerados seguros. CONSEQUÊNCIAS GRAVES PARA A SAÚDE MENTAL, SOCIAL E FÍSICA O uso excessivo de ecrãs, reforça a Saluslive, está associado a ansiedade, depressão, défice de atenção e risco de dependência digital. No plano social, conduz ao isolamento, dificuldades de comunicação e menor capacidade de empatia e cooperação. Fisicamente, promove o sedentarismo, a obesidade, distúrbios do sono, problemas de visão e de postura. Estes impactos são agravados quando o tempo de ecrã substitui atividades essenciais como a brincadeira, o convívio familiar e o sono adequado. “Estamos a assistir ao crescimento de uma geração menos sociável e com maiores dificuldades emocionais. Se nada mudar, daqui a 5 ou 10 anos veremos jovens com mais problemas de saúde mental, menor capacidade de adaptação escolar e profissional e com doenças físicas crónicas associadas ao sedentarismo e ao mau uso da tecnologia”, alerta Raquel Cunha, diretora clínica da SalusLive. IDADES MAIS CRÍTICAS A SalusLive sublinha que há fases de maior vulnerabilidade: 0,2 anos: o uso de ecrãs pode prejudicar seriamente a linguagem, o vínculo afetivo e o sono - motivo pelo qual é totalmente desaconselhado. 2,5 anos: afeta a atenção, a autorregulação emocional e substitui brincadeiras fundamentais. 6,10 anos: interfere na aprendizagem, no sono e nas relações sociais. +11 anos: aumenta o risco de ansiedade, depressão e dependência digital, sobretudo pelo uso intensivo das redes sociais. O PAPEL DOS PAIS E DAS ESCOLAS A SalusLive considera fundamental a atuação de pais e escolas: Os pais devem ser exemplo, criar zonas sem ecrãs em casa (como refeições e quartos), negociar regras em conjunto e propor alternativas offline (jogos de tabuleiro, atividades ao ar livre, leitura partilhada). As escolas devem criar regras para limitar o uso de telemóveis nos intervalos, garantindo que esse tempo é dedicado à socialização, ao movimento e ao descanso digital. 5 recomendações da SalusLive para intervalos escolares mais saudáveis Criar zonas livres de ecrãs nos recreios, com supervisão positiva. Disponibilizar materiais simples (cordas, bolas, jogos de chão) que estimulem o jogo cooperativo. Promover “dinâmicas do dia” que incentivem a participação e a empatia. Organizar rodas de conversa breves para estimular o diálogo entre pares. Envolver os alunos na criação de brincadeiras, dando-lhes responsabilidade e voz ativa. O IMPACTO SOCIAL DE UMA GERAÇÃO DIGITALMENTE DEPENDENTE Para a SalusLive, se nada for feito, Portugal arrisca-se a criar uma geração menos sociável, com mais dificuldades emocionais e profissionais. “Estamos a falar de jovens menos preparados para cooperar, liderar, gerir frustrações ou resolver conflitos. A médio prazo, isso terá reflexos não apenas individuais, mas também sociais e económicos”, acrescenta a Raquel Cunha. As recomendações oficiais De acordo com a Sociedade Portuguesa de Pediatria, os limites seguros devem ser: 0,2 anos: evitar totalmente 2,5 anos: máximo 1h/dia, sempre com supervisão 6,10 anos: até 2h/dia +11 anos: idealmente 2,3h/dia (excluindo uso escolar) O papel ativo da SalusLive Enquanto entidade dedicada à promoção da saúde infantil, a SalusLive atua através de formação, consultoria e sensibilização de pais, escolas e educadores. Está já a preparar programas educativos e workshops para apoiar famílias e comunidades escolares na adoção de regras claras e hábitos mais saudáveis. “É tempo de devolver às crianças o direito de brincar, conviver e sentir-se parte de um grupo real. Mais do que ecrãs, elas precisam de tempo connosco, com os seus pares e com o mundo físico”, conclui a mesma fonte. Notícias Saúde Infantil Fonte:  Press Media Foto:  Pixabay