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SATÉLITES SÃO UMA APOSTA DOS EUR6 MIL MILHÕES DE EMPRÉSTIMOS EUROPEUS PARA GASTAR EM DEFESA

Expresso Online

2025-09-12 21:02:50

Força Aérea vai fabricar satélites de alta resolução. Portugal financia a maioria das aquisições militares já previstas com empréstimos europeus O investimento que Portugal vai fazer em Defesa, através dos empréstimos do programa SAFE (Security Action For Europe), no âmbito da iniciativa ReArm Europe, inclui o fabrico nacional de satélites óticos de alta resolução em Alverca, avança ao Expresso o ministro da Defesa, Nuno Melo. Só existem dois aparelhos de “muito alta resolução” na Europa. Um é do gigante Airbus, o outro é português, da Geosat, o que já mereceu a referência da presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen. Estes satélites fazem parte de um projeto denominado Constelação do Atlântico, desenvolvido pela Força Aérea: trata-se de um sistema integrado de observação da Terra, que dota Portugal de uma capacidade soberana de monitorização persistente do seu espaço estratégico. O general João Cartaxo Alves, chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), diz ao Expresso que “este satélite de muito alta resolução permite ver imagens da Terra com uma resolução até 50 centímetros”, possibilitando “ver locais de catástrofe, inundações, veios freáticos, áreas de desflorestação ou monitorização de incêndios”. Em janeiro e junho de 2026 serão lançados dois satélites; o terceiro e o quarto serão financiados pelo PRR; e o quinto e sexto serão pagos por estes empréstimos do SAFE. Custam cerca de EUR20 milhões cada um. Segundo o general, as instalações de Alverca estão a ser preparadas para se iniciar o fabrico dos aparelhos, o que “no futuro vai permitir a Portugal exportar satélites”. O valor de EUR6 mil milhões divulgado pela Comissão Europeia esta semana para Portugal comprar armamento através de empréstimos é o equivalente ao montante total da Lei de Programação Militar (LPM), ou seja, cobre quase tudo aquilo que o país prevê gastar ao longo de 12 anos. Segundo Nuno Melo, “a baliza é o montante de investimento de 2% do Produto Interno Bruto” previsto já para 2025. Ou seja, uma parte significativa das aquisições já previstas na LPM portuguesa devem passar a ter financiamento europeu. Segundo o Ministério da Defesa, “a verba atribuída pela Comissão Europeia, colocada dentro do intervalo mínimo e máximo da proposta portuguesa, corresponde a projetos concretos dirigidos aos três ramos das Forças Armadas, envolvendo outros países nos termos exigíveis, que permitirão a modernização de equipamentos, envolvendo também as indústrias nacionais, em grande parte dos casos elencados na LPM, em linha também com os alvos capacitários da NATO”. “Quando o MDN identificou estes projetos, significa que tem intenção de, na medida do possível, assegurar a respetiva concretização”, assegura o ministério de Nuno Melo. Numa lista liderada pelos EUR44 mil milhões da Polónia, a Espanha - que é cinco vezes maior que Portugal - tem atribuído apenas mil milhões de euros em empréstimos, o mesmo valor da Finlândia. A Bélgica, que tem uma dimensão equivalente à portuguesa, tem um envelope de EUR8 mil milhões, mas a Dinamarca, por exemplo, não prevê recorrer ao mesmo nível, tendo apenas previsto o recurso a EUR46 milhões. Vítor Matos Jornalista Vítor Matos