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COLECIONISMO O MARAVILHOSO VELHO NOVO MUNDO

F Luxury Magazine

2025-09-12 21:04:02

Valor histórico, exclusividade e inovação digital sustentam um mercado que não para de crescer, movido por paixões que ultrapassam o mero investimento. Traduzem-se em arte e cultura e são o reflexo de uma nova forma de colecionar. olecionadores influentes, como Larry Ellison e Deepak Chopra, continuam a investir em relógios Patek Philippe, carros de coleção e arte contemporânea. As principais casas de leilão mantêm a sua relevância, entre elas a Sotheby s, a Christies, a RM Sothebys, a Phillips e a Bonhams. E as plataformas digitais como a OpenSea, a SuperRare e a emergente Courtyard definem novas tendências no colecionismo digital. o mercado global de colecionáveis, avaliado em 304.5 mil milhões de dólares em 2024, mantém a curva ascendente, sendo esperado que atinja quase 470 mil milhões de dólares até 2032. São dados de instituições como a Stellar Market Research ou World Luxury Chamber, que sustentam, ainda, que este crescimento é impulsionado pela procura crescente de peças únicas e de edição limitada, e pela valorização emocional associada a objetos colecionáveis. Neste universo do colecionismo altamente exclusivo, 2025 confirma-se como um ano emblemático em que luxo, história e inovação digital se intersetam. O mercado global de joias e relógios pulsa e é bem ilustrado pela venda do diamante Mediterranean Blue, uma gema rara de 10,03 quilates com cor fancy vivid blue, arrematada na Sothebys Genebra por cerca de 20 milhões de dólares. Jessica Wyndham, especialista da Sothebys, afirma que “o mercado de diamantes coloridos raros está mais forte do que nunca”, refletindo a crescente procura por peças que unem raridade e valor intemporal. No campo da relojoaria, o destaque vai para o lendário Patek Philippe Ref. 1518, em aço, avaliado este ano pela casa leiloeira Monaco Legend Group em 20 milhões de dólares. São apenas quatro os exemplares produzidos deste modelo, razão por que John Reardon, especialista em Patek Philippe, já o classificou como o “monte Evereste” da coleção Patek. “A entrada do Patek Philippe 1518 de aço no mercado representa um marco: um relógio que apenas quatro colecionadores conhecem em todo o mundo. ê o verdadeiro Evereste da relojoaria." A Phillips Watches, plataforma global líder na compra e venda de obras dos séculos xx e XXI, especialista nas áreas da arte moderna e contemporânea, design, fotografias, edições, relógios e joias, celebrou, esta primavera, a sua melhor temporada de sempre, com vendas totais a superar os 113 milhões de dólares, incluindo onze relógios vendidos por mais de um milhão cada. “Foi a maior temporada de sempre por número de relógios de sete dígitos"revelou um dos organizadores. Nouniverso dos supercarros, a ModaMiami Week confirmou-se como um dos maiores palcos do mercado, com a RM Sothebys a arrecadar 74.5 milhões de dólares em fevereiro. O Ford GT40 Mk Il de 1966, vendido por 13,2 milhões de dólares, seguido do Ferrari F50 (1996), que atingiu os 5,5 milhões, e o Ferrari F40 (1991), arrematado por 3,58 milhões, atestam-no. Na capital francesa, a RM Sothebys Paris quebrou recordes ao arrecadar mais de 69 milhões de euros num só leilão, destacando a venda do Ferrari 250 LM de 1964, por 34,88 milhões de euros, e do Pagani Huayra R (2022), por 3,04 milhões. Em linha com este nível de expansão, está o mercado da arte digital e dos NFT, mesmo que nem sempre constante. São exemplos disso a CryptoPunks Zombie #8857, vendida por 6,63 milhões de dólares na plataforma OpenSea, ou o artista Refik Anadol, ainda na linha da frente do movimento, com vendas que ultrapassam os 5 milhões de dólares e projetos com a NASA, a Unicef e a Alzheimer s Foundation. Se o assunto é vinhos raros, a sede mantém-se constante, sobretudo pelos que procuram exemplares históricos portugueses, como o Barca Velha Pêra Manca ou o Quinta do Noval Nacional. Alvo de colecionadores internacionais, as referências nacionais fundem tradição e investimento em bens hoje considerados de luxo. O mercado da arte ocupa uma posição especial neste contexto ao cruzar cultura, capital e exclusividade. “Não é apenas um setor de comércio, mas um espelho da riqueza, do gosto e da transição globais. a medida que o panorama do luxo evolui em resposta às mudanças económicas, à mudança geracional e à aceleração digital, também o mundo da arte está a ser redefinido” lemos na plataforma World Luxury Chamber.com base em informações e dados do The Art Basel and UBS Art Market Report 2025, da Arts Economics, a principal publicação anual que acompanha, analisa e interpreta o mercado global de arte, o relatório assinado por Clare McAndrew, renomada economista especialista em cultura, é uma leitura obrigatória para os interessados! A edição de 2025 apresenta um retrato “complexo mas revelador de um mercado em transição. Embora as vendas totais tenham diminuído, a atividade nos níveis inferior e médio do mercado expandiu-se. As potências tradicionais, como OS EUA e o Reino Unido, reavaliaram os seus papéis, as plataformas digitais solidificaram a sua influência e há uma nova geração de colecionadores que reformulou as motivações por detrás da aquisição”. Isabel Figueiredo