CHANCELER ALEMÃO APELA A FLEXIBILIDADE NAS METAS DE EMISSÕES
2025-09-12 21:04:09

O chanceler alemão defendeu a necessidade de uma “abertura tecnológica” para as metas de emissões de 2035, não limitada a elétricos O chanceler alemão defendeu a necessidade de uma “abertura tecnológica” para as metas de emissões de 2035, que não fique limitada a veículos elétricos. O Chanceler alemão, Friedrich Merz, manifestou o seu apoio à indústria automóvel nacional e apelou a uma maior flexibilidade regulatória por parte da União Europeia (UE), colocando no centro do debate as metas de emissões de 2035. Estas estipulam uma redução de 100% nas emissões de CO2, significando, essencialmente, o fim da venda de automóveis novos com motor de combustão interna no bloco europeu. © BMW A BMW está a apostar fortemente na eletrificação, tendo lançado recentemente o BMW iX3, o primeiro Neue Klasse. “Estamos, naturalmente, comprometidos com a transição para a mobilidade elétrica. Mas precisamos de mais flexibilidade na regulamentação”, afirmou o Chanceler durante o Salão de Munique 2025. Merz não pediu explicitamente que o prazo das metas de emissões para 2035 fosse adiado ou cancelado, mas defendeu aquilo a que chamou de “abertura tecnológica”. Segundo ele, em vez de uma proibição rígida que só aceite carros 100% elétricos, soluções como híbridos, híbridos plug-in ou combustíveis sintéticos também deveriam ser consideradas alternativas limpas e ficar isentas da regra. “Precisamos de uma regulamentação europeia inteligente, fiável e flexível. Compromissos políticos unilaterais com tecnologias específicas são o caminho errado em termos de política económica e não apenas para este setor”, acrescentou. Partidos divididos O político encontra-se no meio de uma guerra interna . Enquanto membros do seu partido, União Democrata-Cristã (CDU), querem flexibilizar ou até mesmo eliminar a proibição de motores de combustão em carros novos até 2035, os parceiros sociais-democratas (com quem tem uma coligação governamental) apoiam-na. O antigo governo de Olaf Scholz, social-democrata, deixou de se opor à proibição de venda de automóveis com motores de combustão interna depois da UE aceitar que veículos movidos a e-fuels (combustíveis sintéticos) pudessem continuar a ser vendidos após 2035. O que dizem os construtores Cumprir com os limites de emissões de CO2 não tem sido fácil para os construtores europeus, principalmente os alemães. Ola Källenius, diretor-executivo da Mercedes-Benz e presidente da associação europeia de fabricantes (ACEA), tem apelado publicamente a uma “recalibração do caminho” para alcançar as metas sem comprometer a competitividade. Pode ler mais sobre isto neste artigo: De acordo com a organização Transport & Environment (T&E), a Mercedes-Benz é atualmente o único construtor europeu com risco de não cumprir as metas para 2025-2027. A Mercedes-Benz não é a única a pedir mudanças. A sua arquirrival BMW, pela voz de Oliver Zipse, o seu diretor-executivo, tem opinião praticamente idêntica, afirmando que o fim dos motores de combustão como consequência das metas de emissões para 2035, é um “grande erro”. Foi mais longe ao apontar o absurdo das regras atuais que não coloca nenhum limite aos produtores de combustível, como a Shell e a BP. Também a Stellantis apresentou propostas para reduzir as emissões do setor sem depender exclusivamente da venda de veículos 100% elétricos, reforçando o debate sobre o equilíbrio entre a regulamentação ambiental e a viabilidade industrial. Mariana Teles