CRIANÇAS PORTUGUESAS PASSAM MAIS DE TRÊS HORAS DIÁRIAS EM FRENTE A ECRÃS, O DOBRO DO RECOMENDADO
2025-09-12 21:05:08

Crianças portuguesas entre os 6 e os 10 anos passam em média 3h21 por dia em frente a ecrãs, valor que triplica as recomendações internacionais. Especialistas alertam para riscos graves na saúde física e mental. As crianças portuguesas estão a passar tempo a mais em frente a ecrãs, ultrapassando largamente as recomendações internacionais para a sua idade. Dados nacionais indicam que as crianças em idade pré-escolar (3 aos 5 anos) registam uma média de 2 horas e 34 minutos diários, enquanto as que frequentam o ensino básico (6 aos 10 anos) chegam às 3 horas e 21 minutos por dia. Estes valores contrastam fortemente com as orientações da Sociedade Portuguesa de Pediatria, que recomenda não mais do que 60 minutos por dia para as crianças mais novas e até duas horas para as mais velhas. A SalusLive, entidade nacional especializada em intervenção pediátrica, alerta que esta exposição excessiva está a contribuir para o aumento de casos de ansiedade, depressão, défice de atenção, obesidade e isolamento social. Raquel Cunha, diretora clínica da SalusLive, afirma: “Estamos a assistir ao crescimento de uma geração menos sociável e com maiores dificuldades emocionais. Se nada mudar, daqui a 5 ou 10 anos veremos jovens com mais problemas de saúde mental, menor capacidade de adaptação escolar e profissional e com doenças físicas crónicas”. A organização identificou ainda as idades mais críticas e os respetivos riscos. Entre os 0 e os 2 anos, o uso de ecrãs é totalmente desaconselhado, uma vez que pode comprometer o desenvolvimento da linguagem e o vínculo afetivo. Dos 2 aos 5 anos, interfere com a autorregulação emocional e substitui brincadeiras fundamentais. Dos 6 aos 10, perturba a aprendizagem e o sono, enquanto a partir dos 11 aumenta o risco de dependência digital e problemas de saúde mental, agravados pelo uso intensivo de redes sociais. Perante este cenário, a SalusLive defende um papel mais ativo por parte dos pais e das escolas. Sugere que os adultos deem o exemplo, criem zonas livres de ecrãs em casa - como durante as refeições ou nos quartos - e proponham atividades offline, como jogos de tabuleiro, leitura ou brincadeiras ao ar livre. No contexto escolar, recomenda que sejam estabelecidas regras para limitar o uso de telemóveis, especialmente durante os intervalos, promovendo antes a socialização e o movimento. Entre as medidas propostas estão a criação de zonas sem ecrãs nos recreios, a disponibilização de materiais que estimulem o jogo cooperativo e a dinamização de rodas de conversa que fomentem o diálogo. A médio prazo, alerta a organização, Portugal poderá estar a formar uma geração com menor capacidade de cooperação, liderança e resolução de conflitos, com reflexos negativos a nível social e económico. A SalusLive encontra-se atualmente a desenvolver programas educativos e workshops dirigidos a famílias e escolas, com o objetivo de apoiar a adopção de hábitos mais saudáveis no uso da tecnologia. Mais informações sobre as recomendações e iniciativas podem ser consultadas através dos recursos disponibilizados pela SalusLive. [Additional Text]: Happy boy and girl children taking selfie on smartphone in kids room