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PODCAST - “TODOS QUEREMOS IR BUSCAR 30% DO MERCADO DA SPACEX”

Expresso

2025-09-12 21:05:12

Em 2002, Tiago Pardal queria saltar para o Espaço mas, como era engenheiro mecânico e não informático, e pouco percebia de programação, fundou a Omnidea. Hoje tem um grupo internacional de 12 pequenas e médias empresas espalhadas por sete países que, recentemente, teve outra descolagem bem-sucedida: ganhou o concurso para integrar o consórcio que vai construir o próximo foguetão europeu. De passagem pela “Liga dos Inovadores”, o podcast do Expresso sobre o que as empresas estão a fazer de distintivo e inovador em Portugal, Tia-go Pardal conta que fundou a empresa “por necessidade pessoal”. Queria trabalhar no sector aeroespacial porque a terra é finita e “daqui só podemos expandir para o mar e para O Espaço” , queria fazê-lo a partir de Portugal, mas “havia essencialmente empresas de software e eu não sou formado em engenharia informática e também não chega. Um lançador de um satélite tem que ter um sistema de controlo, mas só com bits e bytes não se sai do chão, e não se chega à Lua”. O negócio central da Omnidea passa pela produção de filtros, válvulas, reguladores de pressão, “todos aqueles componentes que fazem gestão dos fluidos dos sistemas de propulsão de veículos espaciais” que nada teriam de especial não fosse o risco e o preço. “Historicamente sempre houve um grande foco em garantir que tudo tem que funcionar e não pode falhar”, não só porque muitas missões eram tripuladas, mas também porque “uma válvula de pressão custa o equivalente a um carro de topo de gama”, descreve o engenheiro. Além da produção de componentes milionárias, o grupo tem uma parceria com O CEIIA no Geosat, “que tem 25% da capacidade europeia de tirar fotografias de muito alta resolução a partir do Espaço”; tem uma “spin-off que trabalha com a distribuição de chaves quânticas a partir de satélites”; e prepara-se para entrar na missão da exploração lunar, o Lunar Gateway, descreve Tiago Pardal. O grande desafio que tem pela frente, e entusiasma tanto quanto assusta, pela dimensão e pela complexidade da obra, é a participação na construção de um foguetão europeu. “Vamos fazer o que vai ser o próximo maior lançador europeu”. Lançador é gíria aeroespacial para foguetão, e um foguetão, em termos simplificados, é um meio de transporte de satélites, son-das interplanetárias, veículos especiais, ou até de tripulação humana. Nos Estados Unidos são abundantes em 2024 lançaram-se 250 foguetões para o Espaço, situa Tiago Pardal , na Europa são escassos para já, existem dois, apenas. O novo lançador promovido pela Agência Espacial Europeia será, como habitualmente, construído por estágios são três, em regra , participando a Omnidea na construção do primeiro deles. E só isto já será um grande feito. “Temos um andar inteiro, um estágio inteiro do que será o próximo grande lançador europeu, o maior da próxima geração. Isto corresponde a cerca de um quinto do veículo, quando, historicamente, Portugal nunca ambicionava ter mais do que 1% numa missão espacial” Paras se ter uma ideia das dimensões, um foguetão inteiro tem uma altura equivalente a 20 andares de um edifício, o nosso estágio vai ter mais de 12 metros de altura, portanto, um prédio de quatro andares”, situa Tiago Pardal. “Trata-se de um sistema muito complexo, e algumas partes terão de ser compradas no exterior, mas a engenharia, o desenho, o produto será de-senvolvido, montado e integrado cá em Portugal.” Desafiar o monopólio americano Se os prazos forem cumpridos, “em 2030 o lançador deverá estar a começar a preparar-se para a qualificação e em 2032 deverá estar tudo operacional”. Pelo meio, Tiago Pardal espera que a nível europeu os vários atores vão afinando estratégias e definindo objetivos. “Neste momento OS EUA têm quase o monopólio do mercado mundial de satélites. A Europa devia ambicionar e buscar um terço”, “todos na Europa queremos ir buscar 30% do mercado da SpaceX”, mas nem todos estão sintonizados. Por exemplo, “a maior economia da Europa, a Alemanha, tem um ministro do Espaço. E Portugal nem sequer tem um ministro com a tutela clara do Espaço”. Atualmente, “a Agência Espacial Portuguesa, está, penso que indiretamente tutelada pelo ministro da Educação”. Deveríamos ter, pelo menos, “um ministro que uma das suas tutelas fosse claramente o Espaço”, diz Tiago Pardal. ELISABETE MIRANDA e PEDRO LIMA Tiago Pardal é fundador da Omnidea, uma empresa que criou em 2002 porque a terra é finita e daqui só podemos expandir-nos para o mar e para o Espaço”. Lembra que a Alemanha tem um ministro do Espaço, quando em Portugal a tutela do sector é indefinida a A terra é finita, daqui só podemos expandir-nos para o mar e para o Espaço Até aqui, Portugal não ambicionava ter mais de 1% numa missão espacial. Agora vamos ter 20% do próximo lançador europeu Um foguetão tem que ter um sistema de controle, mas só com bits e bytes não se sai do chão, não se chega à Lua. e preciso hardware A maior economia da Europa tem um ministro do Espaço, Portugal nem sequer tem um ministro com a tutela clara do Espaço Gosto de gestores que conseguem montar uma equipa que está com eles porque acredita, e não porque precisa Neste momento, os EUA têm quase o monopólio do mercado mundial de satélites. A Europa devia ambicionar e buscar um terço Tiago Pardal lidera a Omnidea desde 2002. Hoje, tem um grupo internacional de 12 PME FOTO Jose FONSECA FERNANDES ELISABETE MIRANDA; PEDRO LIMA