CRIANÇAS EM FRENTE AO ECRÃ: UM 321 AMEAÇADOR
2025-09-13 21:04:11

speedo101 / depositphotos Entre os 6 e os 10 anos, as crianças portuguesas ficam 3h21m por dia em frente a um ecrã , deveria ser praticamente metade. A Sociedade Portuguesa de Pediatria considera que os limites seguros de exposições a ecrãs, para crianças, são: dos 2 aos 5 anos o máximo seria 1h por dia, sempre com supervisão; dos 6 aos 10 anos, até 2h/dia. Mas não é isso que está a acontecer em Portugal: dos 3 aos 5 anos, as crianças passam em média 2h34 por dia em frente a um ecrã; dos 6 aos 10 anos a média aumenta para 3h21 por dia. A Saluslive avisa que a maioria das crianças portuguesas já ultrapassa largamente os limites considerados seguros. A empresa focada em intervenção pediátrica reforça que há diversos problemas associados a esta exposição exagerada: ansiedade, depressão, défice de atenção e risco de dependência digital. A nível social, de relações, também costuma originar isolamento, dificuldades de comunicação e menor capacidade de empatia e cooperação. E ainda: promove sedentarismo, obesidade, distúrbios do sono, problemas de visão e de postura. “Daqui a 5 ou 10 anos ” As consequências do tempo passado em frente ao ecrã são ainda mais visíveis quando esse tempo substitui a brincadeira, o convívio familiar e o sono adequado. “Estamos a assistir ao crescimento de uma geração menos sociável e com maiores dificuldades emocionais. Se nada mudar, daqui a 5 ou 10 anos veremos jovens com mais problemas de saúde mental, menor capacidade de adaptação escolar e profissional e com doenças físicas crónicas associadas ao sedentarismo e ao mau uso da tecnologia”, alerta Raquel Cunha, diretora clínica da SalusLive. “Estamos a falar de jovens menos preparados para cooperar, liderar, gerir frustrações ou resolver conflitos. A médio prazo, isso terá reflexos não apenas individuais, mas também sociais e económicos”, acrescenta Raquel Cunha. Sequelas por idades Em comunicado enviado ao ZAP, a SalusLive sublinha as sequelas em diversas fases mais vulneráveis. 0,2 anos: o uso de ecrãs pode prejudicar seriamente a linguagem, o vínculo afetivo e o sono - motivo pelo qual é totalmente desaconselhado. 2,5 anos: afeta a atenção, a autorregulação emocional e substitui brincadeiras fundamentais. 6,10 anos: interfere na aprendizagem, no sono e nas relações sociais. Maiores de 11 anos: aumenta o risco de ansiedade, depressão e dependência digital, sobretudo pelo uso intensivo das redes sociais. Sugestões Os pais devem criar zonas sem ecrãs em casa, negociar regras em conjunto e propor alternativas offline , entre jogos de tabuleiro, atividades ao ar livre, ou leitura partilhada. As escolas devem criar regras para limitar o uso de telemóveis nos intervalos, garantindo que esse tempo é dedicado à socialização, ao movimento e ao descanso digital. ZAP // ZAP