IAA MOBILITY 2025: OS MAIS PEQUENOS BRILHARAM MAIS NO SALÃO DO AUTOMÓVEL DE MUNIQUE
2025-09-15 21:05:21

Há uma guerra entre europeus e chineses, cuja vitória pode ser decidida com eléctricos mais acessíveis. E no IAA Mobility de Munique foram também estes que ganharam protagonismo. As grandes estreias são habitualmente reservadas para os grandes salões. Mas “grandes” não significa necessariamente que se referem a modelos exclusivos ou premium. Aliás, depois de anos a ser posto de lado, o segmento dos pequenos citadinos e utilitários parece estar de volta à ribalta, com as marcas a compreenderem que, dado o custo cada vez mais elevado dos automóveis, nomeadamente com todos os requisitos de segurança impostos, mas também com o aumento das taxas aduaneiras - as tarifas dos EUA, por exemplo, estão a custar “vários milhares de milhões de euros” no balanço deste ano da Volkswagen, admitiu Oliver Blume à Reuters -, a conquista da mobilidade eléctrica pode passar precisamente pelos modelos mais acessíveis. Não que a indústria se tenha rendido a 2035 como o ano em que as vendas de automóveis de coração térmico se findariam. Pelo contrário: muitas marcas acreditam que esta meta será alargada e voltam a revelar investimento nos motores movidos a combustíveis fósseis, mesmo que com algum apoio eléctrico. E a Comissão Europeia parece dar sinais de estar mesmo disposta a dilatar o prazo. Foto Visitantes do salão, que teve um forte foco na mobilidade eléctrica e na digitalização, interagem com um Togg T10X ANNA SZILAGYI/EPA Ainda assim, a electricidade mantém-se na ordem do dia - e assim tem de ser se as marcas europeias pretendem manter uma presença de destaque no mercado chinês, onde, no ano passado, a cada dois automóveis novos vendidos um ou é 100% eléctrico ou é um híbrido de ligar à corrente. Mas, além dos luxuosos bólides, as marcas europeias tiraram da manga uma série de soluções que parecem primar pela acessibilidade do preço, o que pode significar que “os europeus estão a levar os chineses muito a sério”, conforme estimou Tu Le, fundador da consultoria Sino Auto Insights, em declarações à agência Reuters. Entre China e EUA Se na China as marcas europeias enfrentam um abrandamento na procura, ao mesmo tempo a que se assiste um crescimento das marcas chinesas no mercado interno, mas também na Europa, nos EUA é o impacto das tarifas de Trump e o fim dos incentivos aos eléctricos que estão a desestabilizar a performance. No caso da Volkswagen, a solução pode estar na construção de uma fábrica da Audi em território norte-americano, enquanto a Stellantis desistiu de fabricar apenas eléctricos até 2030, conforme anunciou Jean-Philippe Imparato no salão, considerando que as metas de emissões de carbono da União Europeia para 2035 são inalcançáveis. EV por menos de 25.000EUR De qualquer das formas, a indústria parece estar ciente de que apenas singrará na mobilidade eléctrica se incluir nas suas gamas veículos com preço inferior a 25 mil euros , e parece ser esse o objectivo para os próximos anos, a começar pela VW, que, depois de vários avanços e recuos, tem finalmente na calha um eléctrico que corresponde a essas expectativas, e que será produzido em Portugal, na fábrica da Autoeuropa, em Palmela. O hatchback compacto ID.Polo EV, nome que substitui o ID.2all, mas também o ID. Polo GTI, um novo hot hatch que tem a primazia de ser o primeiro eléctrico da marca a ostentar a sigla GTI, deverão começar a ser comercializados ainda em 2026, a partir de um valor abaixo dos 25 mil euros e abaixo dos 35 mil euros, respectivamente. “Estamos a trazer uma das nossas marcas mais fortes, o GTI, para o mundo eléctrico”, destacou Martin Sander, membro da direcção da Volkswagen, anunciando que o hot hatch irá oferecer “uma dinâmica extraordinária e muito prazer de condução”. Foto Um ID.Polo GTI no Salão Internacional do Automóvel da Alemanha IAA Mobility 2025 em Munique, Alemanha ANNA SZILAGYI/EPA Entre as novidades da VW, há ainda um ID.Cross, um SUV eléctrico com preço previsto entre os 28 mil e os 30 mil euros, a ser lançado também no próximo ano. Já a chinesa Leapmotor, que integra o universo Stellantis, apresentou o B05, um hatchback eléctrico que deverá começar a chegar à Europa no segundo trimestre de 2026 e para o qual ainda não há preços, ainda que a tónica deva ser posta na acessibilidade. Mais novidades traz a Togg, startup turca de veículos eléctricos, que revelou em Munique um novo sedan com o qual se pretende estrear na Europa, iniciando a comercialização pela Alemanha iniciar as vendas na Europa, começando pela Alemanha. A Togg anunciou ainda o lançamento europeu do seu SUV eléctrico T10X. Novidades de A a Z Na Audi, a maior novidade passou pela apresentação do Concept C, que antecipa a linguagem estética dos futuros automóveis dos quatro anéis, marcada pelas proporções atléticas e frente vertical, cuja inspiração advém do Auto Union Type C, de 1936, enquanto a rival BMW levou o recém-desvendado iX3, o primeiro automóvel da era Neue Klasse, que lança a primeira pedra de uma nova construção para a marca, que prevê o lançamento de uma recheada gama de eléctricos, repletos de tecnologia. Da China, a BYD trouxe o Seal 06, que já tinha apresentado a Xangai, e a sua submarca Denza, com a qual almeja rivalizar com as marcas premium alemães. Foto Vista interior de um Leapmotor Bio durante a conferência de imprensa do Leapmotor no Salão Internacional do Automóvel da Alemanha IAA Mobility 2025 em Munique, Alemanha ANNA SZILAGYI/EPA Por seu turno, a Cupra apresentou o concept Tindaya, que visa revelar as linhas da sua gama futura, e levou uma versão camuflada do seu pequeno Raval, de características desportivas, com suspensão ajustada e rebaixada. Na Hyundai, outro protótipo, o Concept Three, que deixa adivinhar com que linhas se coserá o vindouro Ioniq 3, que será o primeiro da marca sul-coreana a utilizar o novo software Pleos do Grupo, bem como a arquitectura E-GMP. Da Leapmotor, além do referido B05, foi relevado o B10, um novo SUV eléctrico do segmento C, cujo preço promete fazer moça a um mercado que brilha com automóveis como o Nissan Qashqai e o VW Tiguan. Na Mercedes-Benz, destacou-se o GLC eléctrico, que se destaca pela estreia da arquitectura de 800 volts, uma bateria a prometer autonomia para mais de 700 quilómetros e um enorme MBUX Hyperscreen, de 99,3cm, que ocupa todo o tablier, de ponta a ponta. E a marca da estrela deixou ainda algumas informações sobre o futuro Classe C Electric, que adoptará a mesma grelha do GLC, assim como o sistema de 800 volts. Foto Opel Corsa GSE Vision Gran Turismo no no salão automóvel IAA em Munique, Alemanha Angelika Warmuth/Reuters No caso da Polestar, foi revelado o aguardado esperado do Porsche Taycan: o Polestar 5 apresenta-se com arquitectura eléctrica de 800 volts, potência máxima superior a 850cv e a primeira plataforma dedicada da marca. Na Porsche, o destaque é mais tradicional, com o lançamento do 911 Turbo S, que foi electrificado e que se apresenta como o 911 mais potente de sempre: são 711cv, assistidos por um binário máximo de 800 Nm. Noutra investida nos carros pequenos, a Smart apresentou o #2, que terá desígnios urbanos, indo buscar inspiração ao ForTwo: há duas portas e apenas dois lugares. A Skoda também levou um concept a Munique, o Vision O, que é apresentado como “uma visão do futuro da marca no segmento das carrinhas e marca uma evolução da linguagem de design Modern Solid”, mas o destaque vai para o Epiq, mais um pequeno compacto eléctrico. A fazer companhia neste segmento estará a Opel, com o conceito Corsa GSE Gran Turismo, enquanto a VW, além dos destaques já mencionados, aposta ainda na apresentação do T-Roc, um dos best-sellers do emblema. Por fim, a Xpeng baralha as tendências dos pequenos urbanos e apresentou o X9, um grande e luxuoso MPV, com funcionalidades únicas, como bancos “zero gravidade” para os ocupantes, e a nova geração do P7, que pretende competir com o Porsche Taycan e, claro, o novo Polestar 5. Com Reuters tp.ocilbup@oriebir.alrac Carla B. Ribeiro