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IAA MOBILITY - OS PEQUENOS SÃO OS QUE MAIS BRILHAM EM MUNIQUE

Público

2025-09-15 21:05:35

Há uma guerra entre europeus e chineses, cuja vitória pode ser decidida com eléctricos mais acessíveis. E no Salão de Munique foram estes que ganharam protagonismo. a As grandes estreias são habitualmente reservadas para os grandes salões. Mas “grandes” não significa necessariamente que se referem a modelos exclusivos ou premium. Aliás, depois de anos a ser posto de lado, o segmento dos pequenos citadinos e utilitários parece estar de volta à ribalta, com as marcas a compreenderem que, dado o custo cada vez mais elevado dos automóveis, nomeadamente com todos os requisitos de segurança impostos, mas também com o aumento das taxas aduaneiras as tarifas dos EUA, por exemplo, estão a custar “vários milhares de milhões de euros” no balanço deste ano da Volkswagen, admitiu Oliver Blume à Reuters , a conquista da mobilidade eléctrica pode passar precisamente pelos modelos mais acessíveis. Não que a indústria se tenha rendido a 2035 como o ano em que as vendas de automóveis de coração térmico se findaram. Pelo contrário: muitas marcas acreditam que esta meta será alargada e voltam a revelar investimento nos motores movidos a combustíveis fósseis, mesmo que com algum apoio eléctrico. Ainda assim, a electricidade mantém-se na ordem do dia e assim tem de ser se as marcas europeias pretendem manter uma presença de des-taque no mercado chinês, onde, no ano passado, a cada dois automóveis novos vendidos um ou é 100% eléctrico ou é um híbrido de ligar à corrente. Mas, além dos luxuosos bólides, as marcas europeias tiraram da manga uma série de soluções que parecem primar pela acessibilidade do preço, o que pode significar que “os europeus estão a levar os chineses muito a sério”, conforme estimou Tu Le, fundador da consultoria Sino Auto Insights, em declarações à agência Reuters. Entre China e EUA Se na China as marcas europeias enfrentam um abrandamento na procura, ao mesmo tempo a que se assiste um crescimento das marcas chinesas no mercado interno, mas também na Europa, nos EUA é o impacto das tarifas de Trump e o fim dos incentivos aos eléctricos que estão a desestabilizar a performance. No caso da Volkswagen, a solução pode estar na construção de uma fábrica da Audi em território norteamericano, enquanto a Stellantis desistiu de fabricar apenas eléctricos até 2030, conforme anunciou JeanPhilippe Imparato no salão, considerando que as metas de emissões de carbono da União Europeia para 2035 são inalcançáveis. EV por menos de 25.000EUR De qualquer das formas, a indústria parece estar ciente de que apenas singrará na mobilidade eléctrica se incluir nas suas gamas veículos com preço inferior a 25 mil euros e parece ser esse o objectivo para os próximos anos, a começar pela VW, que, depois de vários avanços e recuos, tem finalmente na calha um eléctrico que corresponde a essas expectativas, e que será produzido em Portugal, na fábrica da Autoeuropa, em Palmela. O hatchback compacto ID.Polo EV, nome que substitui o ID.2all, mas também o ID. Polo GTI, um novo hot hatch que tem a primazia de ser o primeiro eléctrico da marca a ostentar a sigla GTI, deverão começar a ser comercializados ainda em 2026, a partir de um valor abaixo dos 25 mil euros e abaixo dos 35 mil euros, respectivamente. “Estamos a trazer uma das nossas marcas mais fortes, o GTI, para o mundo eléctrico”, destacou Martin Sander, membro da direcção da Volkswagen, anunciando que o hot hatch irá oferecer “uma dinâmica extraordinária e muito prazer de condução”. Entre as novidades da VW, há ainda um ID.Cross, um SUV eléctrico com preço previsto entre os 28 mil e os 30 mil euros, a ser lançado também no próximo ano. Já a chinesa Leapmotor, que integra o universo Stellantis, apresentou o B05, um hatchback eléctrico que deverá começar a chegar à Europa no segundo trimestre de 2026 e para o qual ainda não há preços, ainda que a tónica deva ser posta na acessibilidade. Mais novidades traz a Togg, startup turca de veículos eléctricos, que revelou em Munique um novo sedan com o qual se pretende estrear na Europa, iniciando a comercialização pela Alemanha iniciar as vendas na Europa, começando pela Alemanha. A Togg anunciou ainda o lançamento europeu do seu SUV eléctrico T10X. Novidades de A a Z Na Audi, a maior novidade passou pela apresentação do Concept C, que antecipa a linguagem estética dos futuros automóveis dos quatro anéis, marcada pelas proporções atléticas e frente vertical, cuja inspiração advém do Auto Union Type C, de 1936, enquanto a rival BMW levou o recém-desvendado iX3, o primeiro automóvel da era Neue Klasse, que lança a primeira pedra de uma nova construção para a marca, que prevê o lançamento de uma recheada gama de eléctricos, repletos de tecnologia. Da China, a BYD trouxe o Seal 06, que já tinha apresentado a Xangai, e a sua submarca Denza, com a qual almeja rivalizar com as marcas premium alemães. Por seu turno, a Cupra apresentou o concept Tindaya, que visa revelar as linhas da sua gama futura,elevouumaversãocamuflada do seu pequeno Raval, de características desportivas, com suspensão ajustada e rebaixada. Na Hyundai, outro concept, o Concept Three (ver texto ao lado), que deixa adivinhar com que linhas se coserá o vindouro Ioniq 3, que será o primeiro da marca sul-coreana a utilizar o novo software Pleos do Grupo, bem como a arquitectura E-GMP. Da Leapmotor, além do referido B05, foi relevado o B10, um novo SUV eléctrico do segmento C, cujo preço promete fazer moça a um mercado que brilha com automóveis como o Nissan Qashqai e o VW Tiguan. Na Mercedes-Benz, destacou-se o GLC eléctrico, que se destaca pela estreia da arquitectura de 800 volts, uma bateria a prometer autonomia para mais de 700 quilómetros e um enorme MBUX Hyperscreen, de 99,3cm, que ocupa todo o tablier, de ponta a ponta. E a marca da estrela deixou ainda algumas informações sobre o futuro Classe C Electric, que adoptará a mesma grelha do GLC, assim como o sistema de 800 volts. No caso da Polestar, foi revelado o aguardado esperado do Porsche Taycan: o Polestar 5 apresenta-se com arquitectura eléctrica de 800 volts, potência máxima superior a 850cv e a primeira plataforma dedicada da marca. Na Porsche, o destaque é mais tradicional, com o lançamento do 911 Turbo S, que foi electrificado e que se apresenta como o 911 mais potente de sempre: são 711cv, assistidos por um binário máximo de 800 Nm. Noutra investida nos carros pequenos, a Smart apresentou o #2, que terá desígnios urbanos, indo buscar inspiração ao ForTwo: há duas portas e apenas dois lugares. A Skoda também levou um concept a Munique, o Vision O, que é apresentado como “uma visão do futuro da marca no segmento das carrinhas e marca uma evolução da linguagem de design Modern Solid”, mas o destaque vai para o Epiq, mais um pequeno compacto eléctrico. A fazer companhia neste segmento estará a Opel, com o conceito Corsa GSE Gran Turismo, enquanto a VW, além dos destaques já mencionados, aposta ainda na apresentação do T-Roc, um dos best-sellers do emblema. Por fim, a Xpeng baralha as tendências dos pequenos urbanos e apresentou o X9, um grande e luxuoso MPV, com funcionalidades únicas, como bancos “zero gravidade” para os ocupantes, e a nova geração do P7, que pretende competir com o Porsche Taycan e, claro, o novo Polestar 5. Com Reuters Concept Three Como o Ioniq pode ser compacto a Revelado ao mundo em Munique, nesta semana, já tínhamos espreitado, uma semana antes na mesma cidade alemã, como a Hyundai antevê o seu futuro compacto. O Concept Three é ainda um protótipo, mas, diz-nos o CEO da Hyundai Europa, Xavier Martinet, já revela muito do que será o vindouro Ioniq 3, representando o mais recente avanço da fabricante sul-coreana na sua estratégia para mobilidade eléctrica. O modelo, desenhado sob a filosofia Art of Steel, destaca-se, aponta a marca, pelos volumes fluidos e linhas esculpidas, sublinhando a força e suavidade do aço aliado à inovação tecnológica. À Fugas, o director de Design, Simon Loasby, explica que foi uma forma de celebrar o aço, uma vez que “somos a única empresa que fabrica o seu próprio aço”. O Three aposta em detalhes como o perfil aerodinâmico Aero Hatch e as luzes Parametric Pixel, que acentuam o ritmo visual e a eficiência energética, mas que também fazem a ponte com a restante gama, da qual, à primeira vista, parece desligado. É o que Loasby identifica como uma filosofia de “peças de xadrez”, cada qual única e com um desenho diferente de qualquer outra, mas com traços que a une às restantes, transformando-as num conjunto quando colocadas no mesmo tabuleiro. O Concept Three também revela um novo ambiente interior, orientado para a personalização, com widgets modulares e uma figura digital, que dizem se destinar a criar uma ligação emocional aos utilizadores. A Hyundai sublinha o facto de o habitáculo privilegiar layouts intuitivos e acabamentos em tons amarelos e cinza, promovendo ambientes acolhedores. A sustentabilidade está presente nos materiais usados, alinhando-se com os objectivos ecológicos da marca. Em Munique, a Hyundai reforçou ainda a meta de electrificar toda a sua gama europeia até 2027, prevendo lançar 21 modelos eléctricos até ao final desta década. A marca destacou também avanços na utilização de materiais reciclados e energias renováveis nas fábricas europeias. Mas o qu que mais se destaca é provavelmente o design apresentado, que se espera que sirva de base às novas nov gerações de automóveis urbanos, u muito focados na Europa, E do emblema sul-coreano. C.B.R. Além das propostas luxuosas bólides, há soluções que parecem primar pela acessibilidade do preço O Concept Three é ainda um protótipo Carla B. Ribeiro