BRUCE DE FRANCOS NEGA VIAGENS À GALIZA POR PLANTAÇÃO DE CANÁBIS
2025-09-15 21:05:35

Arguido começou a ser julgado por tráfico. Alegou que só teve experiências com drogas enquanto consumidor. Irmã e amigo também são arguidos cesar.castro@jn.pt PORTO “Nunca adquiri qualquer estupefaciente para venda, mas sim para consumo recreativo e esporádico”. Foi desta forma que Bruce Teixeira, conhecido pOr Bruce de Francos, negou, ontem, de forma categórica qualquer envolvimento na compra ou venda de droga, assumindo apenas consumos pessoais e ocasionais de canábis, cocaína e álcool. O Ministério Público (MP) sustenta que Bruce Teixeira, conhecido como O “Traficante do Ferrari", liderava uma rede criminosa que, entre 2023 e maio de 2024, cultivou canábis em Ourense, Espanha, que depois preparava, armazenava e vendia no Porto, com a ajuda da irmã e de outro cúmplice. Esta atividade, segundo o MP, ter-lhe-á rendido centenas de milhares de euros e financiado o seu estilo de vida de luxo, marcado pela posse de carros de gama alta, como um Ferrari 488 GTB, que foi apreendido e, desde julho deste ano, está ao serviço da PSP. Mas, ontem, na primeira sessão do julgamento, ôno Tribunal de São João Novo, Bruce Teixeira rejeitou que assim fosse. “Não sei como se cultiva [canábis). Sei como é, mas nunca fiz. Vi em fotos. Ao vivo, nunca vi”, afirmou o arguido, de 38 anos, atualmente em prisão preventiva na cadeia de Custóias. O AMIGO AGRICULTOR Quanto à ligação com ao arguido Hélder Soares que a acusação diz que, por ser “experiente” na matéria, foi recrutado para cuidar do cultivo da canábis, sendo pago pOr este trabalho-, o arguido disse conhecê-lo desde a infân-cia, mas negou qualquer "relação comercial” com o mesmo. Durante o seu depoimento, “Bruce de Francos” , Francos D. é o bairro do Porto de onde é originária a sua família , também não apresentou qualquer explicação para a droga encontrada na casa da irmã e arguida, Catarina Teixeira. “Estranhei o que foi apreendido”, referiu, acrescentando, que chegou a assumir a posse do estupefaciente para protegê-la. Quanto ao cacifo que alugou num centro comercial na rotunda da Boavista, no Porto , e que o MP diz que era utilizado para ocultar droga antes de ser distribuída a outros traficantes afirmou que servia apenas para guardar roupas e objetos de marca, pagando 27 euros mensais e mantendo o espaço pelo acesso ao parque de estacionamento. O Ministério Público diz que, às sextas-feiras, Bruce Teixeira deixava o superdesportivo na garagem e pegava num discreto Fiat Tipo. O veículo, registado como TVDE, permitia, segundo a acusação, não chamar atenção. Ao final da tarde, apanhava o ajudante, Hélder Soares, após este sair do trabalho, e rumavam até Ourense para cuidar de uma estufa, com mais de 500 plantas de canábis. No domingo, regressavam a casa com as sumidades das plantas e também com pacotes de cocaína comprados a cartéis galegos. As drogas eram depois, ainda de acordo com a acusação do Ministério Público, preparadas com a ajuda da irmã de Bruce, Catarina Teixeira, de 31 anos, e vendidas a traficantes ou consumidores VIP.o SABER MAIS 600 mil euros em notas Em maio de 2024, a PSP realizou uma operação, com várias buscas, em que apreendeu a Bruce Teixeira, além de um Ferrari, cerca de 600 mil euros em numerário, alegadamente provenientes da venda de drogas no Porto. Também foram encontradas nas buscas drogas, nomeadamente um quilo de cocaina, liamba, haxixe e ecstasy. Estufa de canábis em Espanha Em Ourense, na Galiza, a Guardia Civil desmantelou, com a PSP do Porto, uma plantação instalada num armazém em Ourense, tendo apreendido 548 plantas de canábis e I2 quilos de sumidades DAR NAS VISTAS Arguido traído pelo gosto por automóveis A discrição de Bruce foi traída pelo seu gosto POr carros. Tinha um Mercedes e um BMW, quando comprou um Ferrari 488 GTB. Em setembro de 2023, foi fiscalizado numa operação stop. Bruce já estaria sob o radar das autoridades, mas, ao ser visto com um carro de 270 mil euros, atiçou a curiosidade policial. A vigilância apertou-se e, em meses, reuniram-se provas do seu alegado papel no abastecimento de drogas em bairros como Pasteleira Nova, Ramalde ou Cerco. Quando foi detido, em maio de 2024, o Ferrari já estava à venda num stand. Mas foi apreendido e, desde julho deste ano, está ao serviço da PSP. o superdesportivo italiano, de 670 cavalos e com uma velocidade máxima de 330 km/h, foi adaptado e está reservado para missões especiais como transporte urgente de órgãos humanos, policiamento de visibilidade, exibição em eventos e acompanhamento de altas patentes. Alegado traficante comprou um vistoso Ferrari 488 GTB, importado da Hungria César Castro