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MUSK LIGOU O MODO CEO EM TEMPO DE GUERRA , COMPROU EUR800 MILHÕES EM AÇÕES DA TESLA E COTAÇÃO DISPAROU

Expresso Online

2025-09-16 21:06:44

Ações da empresa valorizaram quase 8% esta segunda-feira, em dia de novos máximos em Wall Street. Dona da Google é a nova adição ao grupo dos 3 biliões de dólares O fundador e presidente da Tesla, Elon Musk, gastou perto de mil milhões de dólares (o equivalente a cerca de 847 milhões de euros) a comprar ações da própria empresa, na semana passada. A ação do empresário foi conhecida esta segunda-feira, através dos documentos revelados pela SEC, regulador do mercado nos Estados Unidos, e levou as ações da fabricante de veículos elétricos a máximos do início deste ano, valorizando quase 8%. Musk adquiriu 2,57 milhões de ações da Tesla a preços entre 371 e 396 dólares. Foi a primeira vez desde 2020 que o empresário comprou títulos no mercado aberto, reforçando a sua posição na empresa que fundou e lidera. “Musk encontra-se atualmente em modo de CEO em tempo de guerra , música para os ouvidos dos investidores otimistas da Tesla, num momento em que decorre uma verdadeira corrida pela inteligência artificial em todo o sector tecnológico”, escreve o analista Dan Ives, da Wedbush, numa nota de análise técnica. A decisão de Musk surge num momento em que a Tesla procura consolidar a confiança dos investidores, depois de um ano marcado por volatilidade e críticas à gestão do multimilionário. Se o seu envolvimento na política, como braço-direito de Donald Trump, parecia ser uma mais-valia para a empresa, os investidores rapidamente trataram de chumbar esta relação, vendendo ações da empresa. No mercado, corria a perceção de que o empresário estava a afastar-se da gestão da Tesla, dedicando-se sobretudo ao novo Departamento de Eficiência do Estado (DOGE), que liderava. “Acreditamos que a Tesla e Elon Musk estão a entrar num capítulo muito importante da sua história de crescimento, à medida que a Revolução da Inteligência Artificial se consolida e a oportunidade do Robotaxi se torna agora uma realidade. Os investidores começam a ver para além dos problemas de procura de curto prazo da Tesla e a reconhecer que a empresa está em posição privilegiada para ser líder clara”, continua. Os Robotaxis vão estar presentes em 35 cidades no próximo ano. Apesar da recuperação desta segunda-feira, as ações da empresa ainda negoceiam cerca de 13% abaixo do máximo registado no final de 2024, mas a mais recente valorização já deixou o título a ganhar em 2025, embora abaixo do desempenho do S&P 500. A operação coincide com o arranque de uma semana em que os mercados acionistas voltam a renovar máximos históricos, espelhando o otimismo que se vive em vésperas de reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos, com todas as previsões a apontarem para o primeiro corte de juros este ano por parte do banco central. Na sessão desta segunda-feira, os índices norte-americanos S&P 500 , que reúne as 500 maiores empresas do país , e o tecnológico Nasdaq Composite bateram novos recordes. Bónus estratosférico descansa investidores O recente bónus que foi divulgado pela Tesla, que propôs que Musk ganhasse prémios de um bilião de dólares, “foi um alívio para os investidores, já que confirma, na nossa perspetiva, que Musk permanecerá CEO da Tesla pelo menos até 2030. Musk continua a ser o ativo mais importante da empresa e o Conselho tomou a decisão inteligente e correta”, considera o mesmo analista. O bónus, a atribuir sob a forma de ações, só será entregue a Musk se conseguir até 2035 fazer a Tesla alcançar uma capitalização bolsista de 8,5 biliões de dólares (7,2 biliões de euros), um disparo face ao valor de mercado atual de 1,1 biliões de dólares. Mas Musk terá também de catapultar o EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para os 400 mil milhões de dólares (em 2024 foram 16,6 mil milhões). Caso venha a concretizar-se, Musk ficaria com 25% da empresa na sua posse, com uma participação avaliada em 2,1 biliões de dólares. Num cenário otimista, a Wedbush estima que a Tesla possa atingir um valor de mercado de 2 biliões já no próximo ano. A presidente do conselho de administração da Tesla, Robyn Denholm, tem defendido que o futuro da empresa depende de Musk. Numa entrevista recente, classificou-o como um “líder geracional” e sublinhou que a melhor forma de “otimizar o futuro da Tesla” é mantê-lo ao leme. O empresário é atualmente o homem mais rico do mundo , apesar de na semana passada ter sido ultrapassado de forma temporária , com uma fortuna estimada em 419 mil milhões de dólares. Dona da Google passa os 3 biliões Esta semana, os investidores aguardam um corte de 25 pontos base nas taxas de juro, após dados recentes apontarem para sinais de fraqueza no mercado laboral norte-americano, o que motiva fortes ganhos em bolsa. E a valorização da Tesla contribuiu para a valorização do sector tecnológico. A Alphabet, dona da Google, passou o valor de 3 biliões de dólares pela primeira vez na história, juntando-se a Nvidia, Microsoft e Apple no restrito grupo das gigantes norte-americanas acima desse valor. As ações da dona da Google dispararam mais de 30% nas últimas semanas, atingindo os 252 dólares, impulsionadas por resultados trimestrais com crescimento de dois dígitos em receitas e lucros, bem como pelo alívio em processos antitrust nos Estados Unidos e na Europa. Apesar da guerra comercial em curso, do agudizar de conflitos geopolíticos, como a invasão russa da Ucrânia e a guerra no Médio Oriente, do fantasma da recessão económica na Europa e das engripadas contas públicas de França, os mercados de ações têm sido capazes de continuar a registar recordes atrás de recordes, com ganhos de dois dígitos este ano, nas maiores praças mundiais. Não só na Europa e nos Estados Unidos, como também na Ásia. Ontem, foi a vez de o índice Heng Seng, de Hong Kong, renovar máximos de quase cinco anos. Gonçalo Almeida Jornalista Gonçalo Almeida