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VAGA DE FURTOS NOS POSTOS DE CARREGAMENTO ELÉTRICO

Badaladas

2025-09-18 21:02:41

[ eunicefrancisco@badaladas.pt ] O furto de cabos elétricos nos postos de carregamento de automóveis tem vindo a ganhar dimensão nas últimas semanas. Depois de alguns casos pontuais em diversas zonas do país, incluíndo Torres Vedras, uma vaga de ocorrências recentes, sobretudo na Grande Lisboa, foi amplamente denunciada nas redes sociais por utilizadores e associações do setor. Sucederam-se as imagens de cabos cortados e os relatos de utilizadores lesados, na Margem Sul, Almada, Mafra, Fátima, Lourinhã, entre outros locais, expondo o que parece estar a tornar-se rapidamente num novo fenómeno criminal. Há inclusive relatos de segundos furtos após a reposição desses mesmos cabos nos postos vandalizados. Para os utilizadores, que já apontavam as dificuldades em encontrar um posto rápido e livre, esta situação está a transformar-se rapidamente num pesadelo, com postos inoperacionais durante vários dias. O objetivo destes furtos é a utilização da matéria-prima dos cabos, que podem render centenas de euros vendidos ao quilo no mercado da sucata e são, portanto, cada vez mais apetecíveis. Segundo a UVE - Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos, em agosto foram registadas dezenas de casos por dia de cabos cortados e furtados. Em setembro, os relatos continuam. A crescente vaga de atos de vandalismo contra postos de carregamento, levou a associação a apelar formalmente junto do Ministério da Administração Interna, PSP e GNR, por “medidas urgentes para travar esta situação”. Torres Vedras também não escapa ao fenómeno. A GNR confirmou ao nosso jornal o registo de três denúncias, no período compreendido entre 28 de abril e 7 de maio, às quais correspondem nove furtos de cabos em postos de carregamentos de veículos elétricos.com as queixas a seguir para o Ministério Público, a GNR recomenda que as empresas responsáveis pelos postos instalem sistemas de alerta/alarme em caso de corte ou alteração do normal funcionamento dos equipamentos, ou outros métodos de alerta rápido e mais eficaz. Junto da PSP, “não foi, até ao momento, reportado qualquer crime de furto de cabos elétricos”. Também a Associação Nacional Movimento-TVDE (ANM-TVDE) denunciou “o impacto social profundo” dos furtos de cabos em postos de carregamento, que considera “tentativas de sabotar o futuro da mobilidade elétrica em Portugal”, e que deixaram os utilizadores impossibilitados de carregar os seus veículos e presos a meio das suas viagens. “Estes atos criminosos prejudicam diretamente todos os utilizadores de viaturas elétricas, incluindo os motoristas e parceiros TVDE, que dependem destes equipamentos para trabalhar e prestar um serviço essencial à sociedade”, defende a associação, ao mesmo tempo em que apela às autoridades por “reforço de segurança, investigação rápida e responsabilização dos culpados”. Associações, operadores e utilizadores estão preocupados e consideram que o vandalismo em postos de carregamento compromete a transição energética e futuro sustentável. Defendem que os prejuízos vão além do impacto económico, colocando em causa a confiança dos cidadãos na rede de carregamento e atrasando a adoção de soluções de mobilidade sustentável. “Quando se rouba um cabo de carregamento, não se rouba apenas cobre ou metal; rouba-se o futuro energético e ambiental do país”, considera a ANM-TVDE, que apela à consciência coletiva: “proteger estas infraestruturas significa proteger também o direito de todos a um futuro sustentável”. EUNICE FRANCISCO