SAVANNAH RESOURCES ADMITE INVESTIR MAIS NA MINA DE BOTICAS, QUE TERÁ LÍTIO PARA 47 MILHÕES DE CARROS ELÉTRICOS
2025-09-18 21:03:11

Com potencial revisto em alta, mina portuguesa explorada pela Savannah terá lítio para 47 milhões de carros elétricos Uma mina a céu aberto, com uma “operação com vida útil mais longa” e um potencial que pode ultrapassar 100 milhões de toneladas de mineralização de lítio ao longo dos anos. Os novos números avançados esta semana pela britânica Savannah Resources para o seu projeto da mina do Barroso, em Boticas (Trás-os-Montes), não apanharam a empresa de surpresa. “Já tínhamos identificado o potencial de crescimento destes depósitos e o programa de sondagens foi desenhado para o confirmar”, disse ao Expresso fonte da Savannah. A conclusão é que os solos de Boticas contêm mesmo mais minério do que o inicialmente antecipado. “Há significativamente mais lítio na área de concessão do projeto já definida”, atestou a empresa mineira. Concluídos os furos no terreno, a empresa, comandada pelo português Emanuel Proença, reviu em forte alta as reservas de espodumena de lítio do projeto: não só o recurso confirmado aumentou em 40%, situando-se agora nos 39 milhões de toneladas, como também cresceu o recurso adicional estimado para exploração, para um intervalo entre 35 e 62 milhões de toneladas. 20 milhões de euros é o valor que o CEO da Savannah Resources, Emanuel Proença, prevê dedicar em 2025 ao desenvolvimento do projeto da mina de lítio de Boticas “Estes valores significam que existe o potencial total para que o Projeto Lítio do Barroso possa vir a superar 100 milhões de toneladas de mineralização de lítio ao longo dos anos, o suficiente para a produção de 47 milhões de veículos elétricos”, anunciou a Savannah, acrescentando que se trata do “equivalente a eliminar o consumo de petróleo de toda a frota automóvel a circular nos dias de hoje no conjunto de Portugal, França e Países Baixos”. E esclarece que estes 100 milhões de toneladas incluem não só o lítio necessário para fabricar meio milhão de baterias para veículos por ano como também feldspatos para cerâmicas, mica para isolamentos ou quartzo para a indústria do vidro. “Estes números mostram bem a escala do que está em causa. Possibilitam mais anos de produção e criam espaço para mais investimento. E também reforçam que o projeto poderá garantir lítio para a Europa durante muitas décadas”, refere a mesma fonte, sem precisar, no entanto, qual o montante possível de reforço do investimento. Só este ano a empresa prevê aplicar até EUR20 milhões no desenvolvimento do projeto. Já na fase de construção da mina (prevista para a segunda metade de 2026) serão alocados até EUR350 milhões. Este ano a empresa concluiu um aumento de capital de EUR5,6 milhões. Emanuel Proença garante que a Savannah vai agora focar-se na preparação dos restantes elementos necessários para dar início à construção da mina em Boticas. “A expansão de 40% do recurso para perto de 40 milhões de toneladas dá bons indicadores para uma possível vida útil mais longa do que a prevista no Estudo de Âmbito de 2023”, frisou o mesmo responsável. Apesar disso, “o desenho do projeto mantém-se”. A Savannah tem já um acordo preliminar com a alemã AMG Critical Materials, a sua maior acionista, para a venda de até 45 mil toneladas de concentrado de espodumena de lítio por ano (cerca de 25% da produção prevista), podendo aumentar para 90 mil toneladas anuais durante 10 anos. A empresa britânica é a proprietária do maior recurso de lítio em espodumena identificado até hoje na Europa. Após a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em maio de 2023, a organização prevê que a produção arranque em 2028. “Nessa fase, a Savannah produzirá lítio suficiente para meio milhão de baterias de carros elétricos por ano”, refere a empresa. Em março de 2025 a mina do Barroso foi considerada como um Projeto Estratégico pela Comissão Europeia. Bárbara Silva Jornalista Bárbara Silva