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DO ECRÃ AO SERVIÇO: COMO O DSAAS ESTÁ A REVOLUCIONAR O PAPEL DOS PARCEIROS DE CANAL

IT Channel Online

2025-09-23 21:05:18

Apostar em soluções que combinam inteligência, serviço contínuo e resultados mensuráveis tornou-se, hoje, uma decisão estratégica. O Digital Signage-as-a-Service é exatamente isso: transforma ecrãs digitais em plataformas contínuas de serviços e experiências personalizadas. Para os Parceiros de Canal, representa não só uma oportunidade de acompanhar a evolução do mercado, mas também de assumir um papel ativo na transformação digital, aproveitando os insights gerados para criar oportunidades de negócio ao longo do tempo O Digital Signage as-a-Service (DSaaS) transformou a digital signage num serviço contínuo e mensurável, ao converter ecrãs digitais em plataformas estratégicas de valor para os Parceiros de Canal. Este modelo permite às empresas aceder a hardware, software em cloud, manutenção e suporte através de subscrição. Mais do que competir com agências de publicidade ou integradores de hardware, o verdadeiro potencial está em oferecer soluções de valor. Além de reduzir despesas de capital, este modelo prepara o setor para uma nova etapa, marcada por gestão de conteúdos, analytics, Inteligência Artificial (IA) e monetização programática. A tendência acompanha o movimento global de adoção de soluções cloud , em 2025, cerca de 65% das novas implementações já seguem este modelo, segundo o especialista Jordan Feil , e reforça a integração com iniciativas de mobilidade inteligente, sustentabilidade e cidades inteligentes.   Daniel Afonso, Chief Marketing Officer da Edigma Para os Parceiros, o DSaaS representa mais do que manter ecrãs ligados: significa assumir o papel de facilitadores, ao integrar dispositivos IoT, promover eficiência energética e garantir cibersegurança. A adoção deste modelo requer repensar o valor entregue e deslocar o foco do “custo do ecrã” para o “valor de uma Parceria de comunicação estratégica a longo prazo”, como refere Daniel Afonso, Chief Marketing Officer da Edigma. Além dos serviços básicos A Edigma, como aponta Daniel Afonso, acredita que “as experiências não se vendem, criam-se”, e esta criação exige o compromisso de cliente e especialista. No centro desta mudança de paradigma está a capacidade do Parceiro de IT de aplicar as suas competências inerentes em dados, redes e cibersegurança à Digital Signage, transformando-o numa oferta premium. A ideia é clara: a margem já não está apenas em manter o ecrã ligado, mas em torná-lo uma ferramenta inteligente e mensurável, ao demonstrar o seu valor através de resultados tangíveis. Rodrigo Sousa, Country Manager B2B Spain & Portugal da Hisense   Rodrigo Sousa, Country Manager B2B Spain & Portugal da Hisense, enfatiza a necessidade de constatar o retorno do investimento, ao afirmar que “o desenvolvimento tecnológico e os projetos por nós instalados permitem-nos aferir dados sobre o impacto direto nos diferentes negócios”. O digital signage, quando integrada de forma estratégica, deixa, portanto, de ser um custo e passa a ser um investimento na experiência do cliente e nos resultados do negócio. O modelo DSaaS permite ao Parceiro de Canal ir além do suporte técnico básico, ao proporcionar serviços de alto valor que capitalizam na sua expertise em IT. A grande aposta reside em não vender apenas um Service Level Agreement (SLA) de uptime, mas sim um SLA de resultados. Para alcançar este nível de serviço, é fundamental a integração de tecnologias como câmaras com análise de vídeo anónima (AVA) ou sensores para medir a audiência e o engagement. Rodrigo Sousa explica que, em projetos mais completos, recorre-se “a dispositivos como câmaras e sensores que captam informação anonimizada e em conformidade com a proteção de dados. Isto dá ao cliente uma visão clara de que o investimento feito está a traduzir-se em resultados concretos e mensuráveis”.   Jorge Horta, responsável de Digital Signage da Samsung Portugal Um dos exemplos de evolução tecnológica está na gestão remota e centralizada de equipamentos. Jorge Horta, responsável de Digital Signage da Samsung Portugal, explica que esta abordagem permite “monitorizar os dispositivos de forma pró-ativa ou reativa, possibilitando a configuração de alertas com base no estado dos equipamentos e a realização de ajustes remotos nas configurações dos displays”. Sublinha ainda que, embora “não disponibilize análise de audiência integrada” por enquanto, a abertura à integração de soluções de Parceiros é determinante para construir um modelo de “Proof-of-Performance-as-a-Service”. Integrar digital signage no negócio A especialidade do Parceiro de IT reside na sua capacidade de integração e, no modelo DSaaS, não é diferente. O serviço passa a ser a ligação do sistema de digital signage a outros sistemas de negócio do cliente, ao transformar uma instalação em implementação contínua. Catarina Barroso, Air Solutions and Information Display Marketing Manager da LG Portugal   Catarina Barroso, Air Solutions and Information Display Marketing Manager da LG Portugal, salienta que a LG está “totalmente focada na resposta e antecipação das necessidades em constante evolução dos seus clientes B2B”, o que se reflete no desenvolvimento de soluções que se “adaptem a cada cliente e Parceiro de forma escalável e rentável”. Segundo a responsável, as plataformas de gestão de conteúdos para digital signage evoluíram para soluções completas que permitem criar, programar, distribuir e controlar mensagens a partir de um servidor local ou de um ambiente cloud. Esta versatilidade abre espaço para integração com outros sistemas de informação já presentes nas organizações. No retalho, por exemplo, torna possível ligar os ecrãs ao sistema de stock e promover automaticamente produtos em excesso. No contexto corporativo, pode articular- se com ferramentas como o Microsoft 365 para exibir agendas de salas de reunião ou dashboards de desempenho. Já na indústria, a ligação a sistemas de chão de fábrica possibilita a visualização em tempo real de indicadores de produção, alertas de segurança ou métricas operacionais.   João Carvalho, PPDS/Philips Professional Displays Sales Manager Portugal da Philips Por sua vez, João Carvalho, PPDS/Philips Professional Displays Sales Manager Portugal da Philips, destaca que a plataforma baseada em Android SoC oferece “flexibilidade técnica” e “escalabilidade económica”. A arquitetura Android, acrescenta, “permite atualizações remotas de software, prolongando significativamente a vida útil do hardware”, o que se alinha com um modelo as-a-Service. Outro aspeto que destaca é a capacidade de integração com “qualquer CMS do mercado sem restrições proprietárias” , característica que abre caminho a soluções de integração mais personalizadas. Para os Parceiros, esta capacidade de integração é um fator decisivo, pois, como sublinha João Carvalho, “abre espaço para novos modelos de negócio” e permite ao integrador “criar contratos de manutenção ou mesmo modelos as-a-Service, assegurando receitas recorrentes e margens sustentáveis a longo prazo”. Rodrigo Sousa destaca a abordagem de Hardware-as-a-Service e sublinha que este modelo só é possível através da “estreita cooperação entre o distribuidor, o integrador responsável pela implementação e o provider financeiro”. A lógica passa por disponibilizar equipamentos em larga escala sem que o cliente tenha de assumir, à partida, o investimento total. Para o responsável, “este é o modelo que deve ser replicado”, uma vez que permite viabilizar projetos de grande dimensão sem os constrangimentos típicos da aquisição tradicional de hardware. Otimização e gestão operacional Ao contrário da “criação de conteúdo” (tarefa tipicamente de uma agência), o Content Curationas- a-Service foca-se na gestão e otimização do conteúdo que o cliente (ou a sua agência) já fornece. O Parceiro não precisa de ser criativo, mas sim um gestor operacional eficiente. Este serviço inclui a programação, a segmentação por horários (day-parting) e a garantia de que a mensagem certa é mostrada no ecrã certo, à hora certa. É um serviço de gestão operacional que liberta tempo precioso ao cliente, garantindo que o seu investimento em digital signage está a ser maximizado. Daniel Afonso defende uma abordagem integrada em que o cliente possa ajustar o nível de serviço às suas necessidades e garantir “entrega, seja no hardware, no software ou na criação e gestão de conteúdos”. Para o responsável, a gestão de conteúdos , entendida como curadoria e otimização , assume-se como um pilar crucial deste tipo de soluções. A flexibilidade na escolha de software CMS e a possibilidade de gestão remota são apontadas como fatores-chave para uma curadoria de conteúdos eficaz. João Carvalho destaca que as ferramentas que permitem “controlo completo da configuração, atualizações e distribuição de conteúdos”, são essenciais para gerir redes de ecrãs de forma dinâmica. Também a gestão quase integral à distância é vista como um ganho em eficiência, sobretudo em instalações de grande dimensão. Como, aliás, salienta Jorge Horta, as funcionalidades que incluam “criação e gestão de conteúdos, agendamento flexível, monitorização e configuração remota de dispositivos”, ao considerar que plataformas seguras e baseadas na cloud facilitam a administração de múltiplos ecrãs. O papel conjunto de distribuidores e fabricantes Carlos Bertrand, Diretor da Maverick AV Solutions, divisão especializada da TD Synnex focada em soluções audiovisuais (AV)   O papel dos distribuidores é considerado essencial nesta transição para modelos de serviços recorrentes. Carlos Bertrand, Diretor da Maverick AV Solutions, divisão especializada da TD Synnex focada em soluções audiovisuais (AV), afirma que a empresa tem atuado como “facilitador desta transformação, promovendo a adoção de modelos de serviços recorrentes no setor de IT em Portugal”. Sublinha ainda a importância de capacitar os Parceiros “a aprender a construir e a vender um contrato de serviço”, através de iniciativas que cruzam componentes técnicos e comerciais. Para o responsável, um dos pontos críticos passa por “remover a barreira do investimento inicial ao cliente final e [permitir] aos Parceiros construir as suas próprias ofertas de DSaaS”. Nesse sentido, considera que a flexibilidade e diversidade de modelos disponíveis são determinantes para que o ecossistema possa concentrar-se na entrega de valor, mais do que na simples venda de hardware. Na perspetiva da Hisense, Rodrigo Sousa enfatiza a importância de garantir um baixo Custo Total de Propriedade (TCO), com “durabilidade, eficiência energética e gestão remota”. Um baixo TCO “abre espaço para novos modelos de negócio” e permite ao integrador “criar contratos de manutenção ou mesmo modelos de Hardware-as-a-Service”. Também os fabricantes acompanham esta evolução. Catarina Barroso, da LG, observa que “o valor migra do hardware para os dados e resultados”, e sublinha que a empresa “tem-se focado no desenvolvimento de soluções de software já há alguns anos, reconhecendo o valor das soluções não-baseadas em hardware para o crescimento sustentável”. A inovação no setor também integra soluções de nova geração. João Carvalho destaca os displays ePaper, que descreve como um “produto disruptivo” capaz de inaugurar “uma nova categoria dentro da comunicação digital: comunicação sustentável, passiva e contínua, sem consumo de energia na reprodução de conteúdos estáticos”. Para o responsável, estes equipamentos representam uma alternativa com uma vertente “sustentável” evidente e um modelo de utilização que “se encaixa num formato as-a-Service” ao criar “oportunidades recorrentes” para o ecossistema. A medição de impacto No universo de digital signage, a perspetiva da JCDecaux distingue-se pelo enfoque na utilização de dados como motor de transformação do Out-of-Home (OOH). Enquanto maior operador mundial de publicidade exterior, o grupo gere redes em larga escala que dependem cada vez mais da capacidade de recolher, analisar e ativar informação em tempo real.   Andreia Paulo, Diretora de Marketing da JCDecaux Portugal Para Andreia Paulo, Diretora de Marketing da JCDecaux Portugal, “a utilização de dados transformou radicalmente o planeamento e a ativação de campanhas OOH, permitindo a transição do modelo de media planning para audience planning”. Na prática, esta mudança traduz-se na integração de dados de mobilidade, perfis demográficos e comportamentais para identificar os melhores locais e momentos para comunicar. A empresa utiliza métricas que vão desde indicadores de brand lift e footfall até interações digitais e conversões online, o que cria uma ligação clara entre exposição e resultados, o que torna o Digital Out-of-Home mais mensurável. Além disso, a responsável avança que soluções como Sincronismo Avançado e distribuição contextual de conteúdos mostram como o operador está a investir em tecnologia para tornar o OOH mais inteligente e integrado com o funil digital das marcas. “A medição de impacto é cada vez mais robusta, com ferramentas que permitem analisar resultados concretos e estabelecer uma ponte clara entre exposição e comportamento do consumidor”, acrescenta a responsável. Enquanto utilizador final de soluções de digital signage em larga escala, a JCDecaux posiciona os dados no centro da sua estratégia e aproxima- se da lógica as-a-Service: as campanhas não são apenas exibidas, mas continuamente otimizadas com base em informação acionável. Para os Parceiros de IT, esta abordagem demonstra como a digital signage pode evoluir de um suporte estático para um serviço de inteligência contínua, gerador de insights de valor para marcas e anunciantes. O futuro dos Parceiros de Canal O DSaaS não se limita a gerir ecrãs ou conteúdos, uma vez que permite aos Parceiros criar experiências consistentes, ajustar campanhas com base em dados reais e ligar os ecrãs a outros sistemas de negócio. Com estas soluções inovadoras, o setor consegue aumentar a eficiência operacional e oferecer experiências mais personalizadas. As plataformas permanentemente online possibilitam aos Parceiros gerir tudo de forma centralizada, enquanto a criação de experiências contínuas transforma cada implementação num investimento duradouro, com benefícios económicos, ambientais e uma experiência do cliente aprimorada. É aqui que mora a oportunidade para os Parceiros de Canal, que ao encararem este investimento como estratégico conseguem acompanhar a evolução do mercado e assumir um papel de liderança na transformação digital. Inês Garcia Martins em 2025-9-23 Inês Garcia Martins