CONTRIBUINTES PAGAM MAIS DE METADE DOS NOVOS COMBOIOS DA CP
2025-09-24 21:05:22

TRANSPORTES Contribuintes pagam mais de metade dos comboios da CP A maior compra de sempre da CP ia ser financiada quase na totalidade por fundos europeus, em 2021. Passaram a pagar cerca de metade em 2024 e, agora, são residuais. Contribuintes ficam com a maior parte da fatura, mas só a partir de 2030. paulomoutinho@negocios.pt EURV66 amos fazer a maior compra da história da CP e usar essa compra como catalisador para promovermos um novo setor em Portugal, o ferroviário.” A frase foi proferida por Pedro Nuno Santos, à data ministro das Infraestruturas, após um Conselho de Ministros em que O Executivo anunciava um investimentode 819 milhões de euros na aquisição de 117 comboios, sendo a fatura suportada, na maioria, por fundos europeus. Este era o objetivo em 2021, mas alguns anos volvidos, os fiundos passaram a ser maioritariamente pagos pelos contribuintes. Aquando do lançamento do processo de aquisição destas automotoras elétricas, num negócio de 819 milhões de euros (mais IVA) a Resolução do Conselho de Ministros era clara: haveria “recurso a fundos europeuls, com, pelo menos, o montante de 617 milhões de euros”, sendo a comparticipação nacional dos encargos “assegurada integralmente através de verbas do Fundo Ambiental”. Mas o “procedimento de contratação que inicialmente se estimava concluir em 2022 concluiu-se em dezembro de 2023”, forçando à primeira reprogramação da despesa. Já ácomovalor do investimento revisto para 746 milhões de euros, a fatura suportadapelos fundoseuropeuls ncolheupar cerca de metade, cifrando-se em 299 milhões, como Fundo Ambiental a suportar 212,5 milhões. E, em 2024, 0f Orça-mentodo Estado foichamadoapagar 233,9 milhões de euros, mas a fatura voltou a subirj já este ano. “o atraso provocado pelas impugnações judiciais , dezembro de 2023 a agosto de 2025 , proVOcoui uma perda de cerca de 191 milhões de euros de apoios do Programa Sustentável 2030", revelou o Ministériodas Infraestruturasa ao Negócios no seguimento da aprovação da nova reprogramação dos encargos para este investimento. Este montante terá de ser coberto “pelo Orçamento do Estadoounovos programas de financiamento a definir”, acrescentou. Na Resoluçãod de Conselhoc de Ministros agora publicada percebe-se que o encargopara os contribuintes voltou asubir. Quase duplicou num ano. Com as impugnações da Stadler e da CAF à vitória da Alstom, num consórcio que tema portuguesa DST, Portugal perdeu a oportunidade de utilizar fundos europeus que, passaram de suportar grande parte do investimento, a representar apenas 117,6 milhões. O Fundo Ambiental manteve a contribuição, mas os contribuintes agora contam com uma fatura que pode ascender a 415 milhões de euros. Custo no OE só em 2030 As impugnações não tiveram apenas impacto nas fontes de financiamento para pagar as automotoras, também atrasaram a sua chegada. Em vez de virem 2026, só chegarão em 2029, o que levou o Governo a avançar com a “ativação da opção de aquisição de 36 unidades automotoras elétricas para os serviços urbanos”. Os equipamentos chegam em 2029, mas o primeiro cheque é pagoja este ano, no valor de 50 milhões de euros, montante quejá foi transferido pelo Fundo Ambiental para a CP, a que se juntou um outro de 20 milhões, sendo parte dos 50,8 milhões a pagar pela empresa em 2026. Em 2027, 2028 e 2029 serão O Fundo Ambiental e os fundos europeus a suportar os encargos, enquanto em 2030 O Fundo Ambiental passa o último cheque, começando O Orçamento do Estado a pagar. Se em 2030 os contribuintes terão de suportar 56 milhões, nos anos seguintes os montantes que serão utilizados do Orçamento do Estado disparam: 161 milhões em 2031 e 154,5 milhões em 2032, saldando-se o investimento em 20331 com maisde 43,5 milhões, EMPRESAS 14 117 AUTOMOTORAS Os 117 comboios para a CP, anunciados em 2021, deviam chegar em 2026, mas só vão começar a andar nos carris em 2029. Atrasos na chegada das automotoras levaram o Governo a acionar a opção de aquisição de 36 unidades para serviços urbanos. 415 ESTADO O Orçamento do Estado apenas começa a pagar as automotoras em 2030. Vai suportar 415 milhões de euros. PAULO MOUTINHO